Arqueologia

Arte rupestre descoberta no Guadiana “não traz” novidades aos especialistas

As cinco gravuras de arte rupestre descobertas nas margens do Guadiana não são uma novidade para os especialistas. Quem o diz é o arqueólogo Rafael Alfenim, da Direção Regional de Cultura do Alentejo.

NUNO VEIGA/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

As cinco gravuras de arte rupestre descobertas nas margens do rio Guadiana, em Elvas (Portalegre), já identificadas pelos arqueólogos, remontam ao período calcolítico, mas não representam uma novidade para os especialistas. “O inventário é reforçado com mais este núcleo, mas não traz novidades em relação aos núcleos que já são conhecidos e publicados [desde 2001]”, disse esta quinta-feira à agência Lusa o arqueólogo Rafael Alfenim, da Direção Regional de Cultura do Alentejo.

Recordando que existem cerca de 300 rochas com gravuras de arte rupestre na área de enchimento da albufeira de Alqueva, Rafael Alfenim disse que este novo núcleo, com cerca de cinco mil anos, não foi estudado no período que antecedeu o encerramento das comportas da barragem alentejana.

Numa conferência de imprensa, realizada esta quinta-feira nos Paços do Concelho de Elvas, o especialista em arte rupestre António Martinho Batista explicou que as gravuras de arte rupestre, encontradas no início de fevereiro por um antigo militar espanhol, Joaquin Larios Cuello, na zona da ponte da Ajuda, ostentam “motivos não figurativos”.

“É um tipo de arte muito esquematizada, muito abstrata mesmo, aquilo a que nós chamamos arte esquemática peninsular, com motivos de caráter abstrato simbólico”, relatou. Segundo o especialista, as figuras espelham “linhas meândricas”, sendo imagens “extremamente elaboradas”.

António Martinho Batista, que foi responsável pelo projeto de investigação de arte rupestre na zona do Alqueva, admitiu que podem vir a ser descobertas mais gravuras no Guadiana, na zona raiana de Elvas. “Vamos completando o inventário que já tinha sido feito em 2001 e, felizmente, a seca não trás só desgraças, neste caso permitiu-nos recuperar arqueologicamente estas cinco rochas”, afirmou.

Estando situadas abaixo da cota máxima da barragem de Alqueva (152 metros), segundo António Martinho Batista, quando subir o nível da água na albufeira, as gravuras, “evidentemente, ficarão submersas”. No encontro com os jornalistas, a responsável da Direção Regional de Cultura do Alentejo (DRCA), Ana Paula Amendoeira, explicou que o objetivo da tutela passa por “fazer o estudo, o conhecimento, o levantamento e o inventário” das gravuras, descobertas perto da Ermida de Nossa Senhora da Ajuda, no concelho de Elvas.

A mesma responsável considerou “prematuro” apontar para uma eventual classificação das gravuras, uma vez que o trabalho de investigação “ainda não está concluído”. Trata-se, segundo a DRCA, que cita os especialistas no terreno, de arte produzida no decurso do período da pré-história recente, denominado como calcolítico (Idade do Cobre), no terceiro milénio a.C., ou seja, há cerca de 5.000 anos.

As primeiras gravuras de arte rupestre no Guadiana foram descobertas na década de 70 do século XX, na zona do Pulo do Lobo, no concelho de Mértola, distrito de Beja, tendo, depois, em 2001 e 2002, sido registados mais achados aquando da construção da Barragem do Alqueva.

Nessa altura, foram identificadas gravuras representando animais e figuras geométricas, ao longo de uma faixa que se estende por mais de dez quilómetros, no concelho de Alandroal, distrito de Évora. “Descobrimos centenas de figuras, ao longo de muitos quilómetros, na zona de influência da Barragem do Alqueva.

A estação principal, aquela que tinha mais gravuras, chama-se Mulenhola”, recordou à Lusa o responsável pelo projeto de investigação de arte rupestre do Alqueva. “Algumas das gravuras que foram descobertas na parte espanhola, nessa altura, eram paleolíticas. Na parte portuguesa, a maior parte eram gravuras pós-glaciares”, acrescentou António Martinho Batista.

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