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IURD. Parlamento comunica factos “graves” ao Ministério Público

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O MP vai ser informado de factos "graves" sobre as alegadas adoções por parte da IURD. A decisão foi tomada por uma comissão parlamentar que ouviu quatro pessoas na terça-feira.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

A Comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias vai comunicar ao Ministério Público (MP) informações sobre as alegadas adoções ilegais por parte de bispos e pastores da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). A informação é avançada pelo Público.

De acordo com a deputada do PSD Teresa Morais, na terça-feira, durante uma reunião à porta fechada foram referidos “factos graves ocorridos recentemente que eventualmente terão relevância criminal”, razão pela qual, acrescenta, devem ser comunicados ao MP. “Os deputados não podem tomar conhecimento de factos graves e ignorá-los”, disse.

Na audiência, que se prolongou durante três horas, foram ouvidas quatro pessoas, uma delas a primeira peticionária da petição Não Adoto Este Silêncio, que exige a abertura de um inquérito parlamentar às adoções pela IURD.

Em causa, tal como noticiou a TVI, estão dois casos concretos: o de uma rapariga que apesar de ter sido adotada manteve sempre contacto com a família biológica até ao dia em que regressou a Portugal e desapareceu; e um caso que tem que ver com as circunstâncias em que morreu um jovem num quarto de hotel nos EUA depois de ter revelado à família biológica que tencionava regressar a Portugal.

Teresa Morais foi escolhida como relatora para acompanhar o caso no Parlamento e propôs que a comissão transmitisse ao MP os factos ali revelados, iniciativa que foi aprovada pelos restantes deputados. O ofício será enviado “nos próximos dias” ao MP. Sobre a reunião, a deputada do PSD revelou que foi “pesada”, acrescentando que todos os deputados presentes se mostraram disponíveis para contribuir “em tudo o que lhes for possível” para o esclarecimento deste caso.

Esclarecimentos à Segurança Social e Santa Casa

A comissão decidiu ainda pedir esclarecimentos à Segurança Social e à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, uma vez que são referidas de forma explícita na petição, que conta com mais de cinco mil assinaturas e na qual se pede que seja assegurada uma averiguação “isenta e imparcial”.

Segundo a Rádio Renascença, em 2000 o Instituto Português da Criança divulgou suspeitas de corrupção relativas ao lar gerido pela IURD, mas o Ministério da Segurança Social arquivou tudo em Janeiro de 2001, escreve o mesmo jornal.

As pessoas ouvidas na terça-feira entregaram aos deputados “um dossier muito extenso” sobre o caso. Segundo Teresa Morais, da análise destes documentos podem resultar mais pedidos de esclarecimento a outras entidades. Relativamente ao pedido de abertura de um inquérito parlamentar, a deputada esclareceu que tal só poderá acontecer se algum grupo parlamentar ou um quinto dos deputados decidirem avançar com essa iniciativa.

Uma investigação levada a cabo pela TVI, que revelou que a IURD estaria envolvida numa rede de adoções ilegais por parte dos seus bispos e pastores, levou o MP a abrir um inquérito. A Igreja, contudo, tem negado insistentemente as acusações de que tem sido alvo.

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