O local do crime foi o submarino construído pelo próprio assassino, o inventor dinamarquês Peter Langkjaer Madsen, de 47 anos. A vítima foi Kim Wall, a jornalista sueca de 30 anos que, a convite de Madsen, entrou na embarcação para fazer uma reportagem. Pouco depois de ter sido dada como desaparecida, partes do corpo da jornalista foram aparecendo no mar, dentro de sacos de plástico.

O inventor dinamarquês garante que não matou a jornalista e alegou que esta morreu acidentalmente no interior da embarcação quando ele estava no convés do submarino UC3 Nautilus, de 33 toneladas e 18 metros de comprimento. Mas admite que a desmembrou e atirou as partes do corpo para o mar, ao largo da Dinamarca. É um caso “muito invulgar e extremamente violento”, descreveu Jakob Buch-Jepsen, procurador do tribunal de Copenhaga.

Além do assassinato de Kim Wall, o inventor dinamarquês está acusado de desmembramento, profanação de cadáver, relações sexuais de “natureza particularmente perigosa” e navegação arriscada de uma embarcação. Tudo terá acontecido na noite de 10 para 11 de agosto. O julgamento começa esta quinta-feira e o veredicto é esperado até 25 de abril. Os procuradores pedem que Madsen seja condenado a prisão perpétua ou, caso seja considerado necessário pelos psiquiátras, que seja mantido numa clínica psiquiátrica até deixar de se considerado doente ou perigoso para os outros. Enquanto não podemos saber o futuro do inventor dinamarquês podemos, no entanto, recordar o que o levou até ao banco do réu.

Do desaparecimento às partes do corpo a aparecer uma por uma

10 de agosto de 2017 foi o dia em que a jornalista Kim Wall entrou no submarino acompanhada apenas do inventor. Eram os únicos lá dentro. A fotografia tirada momentos antes de entrarem corresponde à última vez que a jornalista foi vista viva. Passou um dia e Wall ainda não tinha chegado a casa. O namorado alertou as autoridades. A jornalista é dada como desaparecida e o inventor do submarino é detido. As autoridades não perdem tempo e retiram a embarcação do mar e colocam-na em terra para analisar e as buscas começam.

As buscas pelo corpo da jornalista começaram logo no dia seguinte a ter sido dada como desapareida (Foto: MARTIN SYLVEST/AFP/Getty Images)

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Onze dias passaram desde o momento em que a jornalista entrou no submarino. Um torso é encontrado no mar perto de Copenhaga. Dois dias depois, as 23 de agosto, chega a confirmação: o torso encontrado pertence a Kim Wall. No dia 5 de setembro, o inventor dinamarquês é ouvido em tribunal e conta a primeira versão da história: a jornalista morreu acidentalmente e ele livrou-se do corpo, mandando-o para o mar.

Quase um mês depois, a 4 de outubro, a polícia descobre algo que desmente e dificulta a defesa do inventor: vídeos no computador de Madsen da jornalista a ser torturada, decapitada e morta por ele. Ao mesmo tempo, os resultados da autópsia revelam que Wall tinha 15 feridas no peito. A 7 de outubro, a polícia revela que encontrou a cabeça, duas pernas e roupas da jornalista — segundo vieram confirmar análises feitas mais tarde — dentro de sacos de plástico, no mar. A 22 de novembro, o braço direito da jornalista é encontrado por mergulhadores. Sete dias depois, encontram o braço esquerdo.