Música

Prins Thomas. Da Noruega para Lisboa com amor, disco(s) e krautrock

Elogia Lisboa, a cozinha portuguesa e a língua. Não quer saber de géneros nem formatos, só de "boa música", diz ao Observador. Dando para dançar, melhor. Este sábado vai ao Lisboa Dance Festival.

Prins Thomas tem 43 anos, é um dos pontas-de-lança da música eletrónica europeia das últimas duas décadas e atua este sábado em Lisboa

Ele diz que só há dois tipos de música: “A boa e a que eu não oiço”. A afirmação é arriscada, presta-se logo a que alguém diga que isto do gosto é subjetivo. Só que o ecletismo presente nas escolhas de Prins Thomas, um anti-purista convicto que já misturou tantos géneros musicais que até ajudou a lançar e enterrar um (o chamado ‘space disco’), dá-lhe crédito para dizer que só se interessa pelo que é distinto, seja isso feito com guitarras ou computador, seja gospel ou techno. Este sábado, 10, o instrumentista, DJ e produtor musical norueguês atua no HUB Criativo do Beato, na noite de encerramento do Lisboa Dance Festival (que arranca na véspera, sexta-feira, 9).

[“Villajoyosa”, um tema de Prins Thomas:]

Thomas Moen Hermansen — ou, como é conhecido no meio musical, Prins Thomas — é já uma referência no panorama internacional da música eletrónica. Atualmente com 43 anos, Thomas começou a despontar há perto de década e meia. Nesse início dos anos 2000, a música eletrónica norueguesa já tinha uma reputação interna de peso (tanto que recentemente até se fez um documentário a contar essa história: “Northern Disco Lights”, realizado por Ben Davis), mas o reconhecimento internacional chegou sobretudo com o surgimento, crescimento e longevidade (ainda hoje percorrem Europa e Estados Unidos) de três pontas-de-lança da nova música de dança do país: Todd Terje,  Hans-Peter Lindstrøm e Prins Thomas. Não por acaso, os três surgem no filme de Ben Davis em grande destaque.

[O trailer do filme sobre a música de dança norueguesa:]

Muito próximos, Lindstrøm e Thomas ajudariam a impulsionar um género musical a que se convencionou chamar ‘space disco’, uma espécie de revisitação da música disco, como se ela tivesse sido pensada para dançar não com lantejoulas, cintos largos e chumaços nos ombros mas com óculos de sol em festas freaks. A descontração e a leveza de música para a pista de dança mantinham-se, mas os dois adicionavam ao bolo uma pitada de krautrock e uma densidade psicadélica que levava a ‘disco’ para o espaço.

Com o passar dos anos, a reinvenção fez Prins Thomas rumar a uma música eletrónica mais contemplativa, com ecos de krautrock e das explorações dos grandes mestres da música ambiente (de Erik Satie a Brian Eno). Nas notas informativas do álbum Prins Thomas III (de 2014), o músico avisava que os ventos eram de mudança: “Não há aqui disco espacial, mas há muito espaço aqui explorado”. Desses tempos, contudo, há algo que se mantém, diz ao Observador: a incessante procura por “música nova e antiga”. Diz que está “sempre a fazê-lo”, sem olhar a géneros nem formatos: embora seja entusiasta do vinil, o que lhe interessa mesmo é a música.

Geralmente procuro música em vinil mas ultimamente o formato é o que menos importa. Ultimamente ando a comprar imensos CDs de jazz. Cada vez viajo menos com vinil dado que surgem sempre problemas. Mas ter começado como DJ de vinil [que só tocava vinil] talvez tenha feito com que hoje preste muita atenção ao som quando escolho música nova”.

Quanto à possibilidade de ter começado a fazer música com recurso a instrumentos e não a computador poder tê-lo ajudado a ser eclético nos momentos de ouvir música e disparar temas para a pista, Prins Thomas reconhece uma possível influência: “O facto de tocar instrumentos talvez dê um ângulo diferente à minha música e talvez seja por causa desse facto que não me resuma apenas a um músico que faz música eletrónica ou de dança”.

[A atuação do músico no prestigiado festival catalão Sonár:]

A forma como Prins Thomas tem misturado géneros (em especial, em discos como os recentes Prins Thomas III, Principe Del Norte e Prins Thomas 5), conquistado a crítica e entusiasmado as pistas de dança de todo o mundo nos últimos anos, fugindo  às batidas mais habituais na música eletrónica (o house e techno mais convencionais), deixa boas expectativas quanto à atuação de sábado em Lisboa.

A capital portuguesa é, aliás, uma cidade que Prins Thomas diz gostar e que este já homenageara na faixa “London Till Lisboa”, incluída no seu último trabalho, Prins Thomas 5, editado em 2017. “Gosto verdadeiramente de Lisboa, da língua portuguesa, da cozinha e, por último, claro, de tocar em Lisboa. Espero que seja uma atuação que fique para o livro de memórias”, remata, expectante.

O Lisboa Dance Festival decorre dias 9 e 10 de março no HUB Criativo do Beato, em Lisboa. Os bilhetes diários para o festival custam 30 euros e os passes gerais para os dois dias custam 45. Os horários das atuações podem ser consultados aqui.

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