Há muito tempo que Offred está farta de receber ordens. Está cansada de vestir o que os homens querem que vista, de calar-se por não ter direito a opinião, de ser “uma boa rapariga”, de “rebolar e abrir as pernas” — afinal, as servas (“handmaid’s”) da República de Gilead, o país fascista onde vivem as personagens da série Handmaid’s Tale, só servem para isso. No primeiro ‘teaser’ da segunda temporada, que estreia a 25 de abril (nos Estados Unidos da América na plataforma de streaming Hulu, em Portugal no NOS Play), Offred enumera todas as ordens que lhe dão e responde-lhes à altura: “Mas que porra?!”.

[O primeiro ‘trailer’ para a segunda temporada:]

O ‘teaser’, propositadamente lançado no Dia Internacional da Mulher, indica que Offred (que na verdade se chamava June, mas teve de aceitar a nova identidade, submissa, devido à formação do estado autocrático de Gilead, onde, por ser uma das poucas mulheres ainda férteis, foi obrigada a servir um amo) vai continuar a lutar para escapar à opressão e subjugação feminina que ali predomina. Desta feita, à procura pelo marido e filha (que teve de deixar devido à nova condição), soma-se uma motivação adicional: um filho por nascer, que a protagonista irá fazer tudo para proteger desse ambiente.

Grande parte da segunda temporada fala sobre maternidade. [A protagonista estar grávida] tem um pouco o efeito de bomba-relógio. As complicações desse facto são magníficas de explorar… será uma temporada negra. Diria que é, em minha opinião, mais sombria que a primeira, se é que isso é possível”, referiu a atriz Elisabeth Moss aos jornalistas, em conferência de imprensa, citada pela publicação online Consequence of Sound.

A série “The Handmaid’s Tale”, inspirada num romance distópico da escritora canadiana Margaret Atwood, foi uma das estreias de 2017, conquistando o público e a indústria televisiva (venceu oito prémios Emmy, os mais importantes da televisão norte-americana). O contexto em que “The Handmaid’s Tale” surgiu — uma altura em que as denúncias de assédio sexual aumentaram e ganharam mediatismo acrescido com o movimento Time’s Up — originou um interesse acrescido na série de Bruce Miller, que além de Elisabeth Moss no papel de June/Offred conta ainda com Yvonne Strahovski e Joseph Fiennes no elenco, entre vários outros.