O ministro do Ambiente afirmou esta sexta-feira que a chuva tem reposto os níveis de água das barragens, mas a um ritmo “bastante lento” no sul do país, frisando que o cuidado com o consumo de água tem que continuar.

Temos que separar o país ao meio. A norte do rio Tejo, as barragens estão muito próximas da sua capacidade máxima e algumas já a atingiram”, afirmou João Pedro Matos Fernandes aos jornalistas à margem de uma conferência sobre alterações climáticas organizada pela Ordem dos Engenheiros.

No sul, embora esteja a haver “encaixes de água a cada dia”, ainda há situações preocupantes, como a da barragem de Monte da Rocha, no concelho de Ourique, que abastece “um conjunto vasto de habitantes”, e que ainda está com apenas 9,6 por cento da capacidade. “O solo estava muito seco e absorveu muita água”, referiu o ministro.

Embora as previsões meteorológicas sejam de mais chuva, “a preocupação com a seca e a responsabilidade de cada um não se altera em nada”, salientou. “A água vai ser cada vez mais escassa. Agricultores, industriais e cidadãos urbanos têm mesmo que consumir menos água”, defendeu.

João Pedro Matos Fernandes apontou que a campanha contra o desperdício é “independente do nível de água nas albufeiras”. “As restrições podem colocar-se. Para que isso não aconteça temos mesmo que poupar água”, reiterou.

IPMA: Média de precipitação dos últimos dias está acima da média de março dos últimos 30 anos

Fátima Espírito Santo, especialista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, explicou ao Negócios que é expectável que a situação de seca severa e extrema que o país atravessava há menos de um mês esteja agora praticamente ultrapassada.

As chuvas dos últimos dias provocaram, em média, uma precipitação de 90 litros por metro quadrado – quando a média do mês de março, nos últimos 30 anos, é de 60 litros. O IPMA corrobora as declarações do ministro do Ambiente e indica que, a sul, a situação continua a ser de seca fraca a moderada.

A especialista do IPMA revelou que, das 61 albufeiras monitorizadas, dez apresentam disponibilidades superiores a 80% do volume total mas doze continuam abaixo dos 40%. A bacia do Sado continua a monopolizar os casos mais graves: a barragem de Monte Gato está a 10% do volume total e a de Campilhas está a 7%.