Os colombianos começaram este domingo a votar nas legislativas, determinantes para pôr em prática o acordo de paz com a ex-guerrilha marxista das FARC, convertido em partido político e que participa pela primeira vez nas eleições.

Mais de 36 milhões de eleitores vão eleger por quatro anos 102 senadores e 166 deputados, num sufrágio marcado por violência e intolerância, que mostrará também qual será a força dos partidos para as presidenciais de 27 de março.

Estes deputados e senadores devem pronunciar-se sobre o passo seguinte do desenvolvimento do histórico acordo de paz assinado em novembro de 2016.

A campanha eleitoral tem sido marcada por atos de violência, incluindo ataques físicos, numa campanha para eleições que deveriam ser as mais tranquilas da história recente da Colômbia, devido à assinatura do acordo de paz com as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – ex-guerrilha de esquerda, transformada agora em partido), que durante décadas foram um fator desestabilizador na política nacional.

De acordo com as autoridades eleitorais colombianas, um total de 2.951 candidatos estão registados para estas eleições, dos quais 1.114 concorrem ao Senado e 1.837 à Câmara dos Deputados.

Estas eleições são cruciais porque definirão o apoio que o próximo Presidente terá para governar, e terá um parlamento cuja novidade será a presença de dez membros das FARC (agora Força Alternativa Revolucionária Comum), cinco em cada casa legislativa, independentemente do número de votos obtidos, já que foi assim determinado no acordo de paz com a ex-guerrilha.

Os candidatos das FARC foram os que receberam as manifestações mais hostis na campanha eleitoral, de diferentes setores que não aceitam que sejam eleitos sem terem respondido antes pelos crimes cometidos.

O novo Congresso terá a sua primeira sessão a 20 de julho e, entre as suas tarefas, terá de aprovar as leis que faltam para a aplicação do acordo de paz com as FARC, que não foram concluídas na atual legislatura.

O resultado destas legislativas abrirá as portas para a formação de alianças para as presidenciais de 27 de março.

O Governo colombiano ordenou o encerramento das fronteiras terrestres e fluviais do país, de quinta-feira até hoje à tarde, a fim de garantir a normalidade das eleições legislativas.