“Um salto maior que a perna e alguma megalomania”. Foi uma das frases usadas por Marques Mendes para descrever a ambição do CDS, manifestada pela líder Assunção Cristas no congresso do partido de ser “a primeira escolha” e de ficar à frente do PSD. “É uma ambição que pode cair no ridículo”, disse o comentador da SIC, recordando os 10% que o partido de Cristas conseguiu nas últimas eleições.

“Em grande medida”, continuou, o resultado do CDS estará sempre dependente “do PSD estar forte ou estar fraco, com iniciativa ou à defesa”. “É uma tática partidária legítima”, reforçou, “mas os dois partidos estão a entregar o poder ao PS”. Ao mesmo tempo deixou um aviso ao PSD: “Assunção Cristas não tem provavelmente o mesmo talento político que Paulo Portas mas não tem anticorpos no eleitor. O eleitor do PSD vota com outra tranquilidade em Assunção Cristas. O PSD devia levá-la mais em atenção.”

“Algumas pessoas no PSD não estão a perceber o filme político. Está toda a gente em campanha eleitoral, António Costa está todos os dias em campanha. Só o PSD é que está a tratar da mercearia. As próximas eleições são daqui a um ano e dois meses, as Europeias. É preciso começar a trabalhar. Rui Rio deu alguns sinais de que quer começar a marcar a agenda. Recomendaria que ele começasse pelos temas sociais.”

Quanto ao anúncio de Nuno Melo como cabeça de lista para nas ao Parlamento Europeu, Marques Mendes disse que  “Nuno Melo é uma óptima escolha, é um excelente deputado”. Referiu-se também ao Partido Socialista: “Podemos ter surpresas. Fala-se em Ana Catarina Mendes mas pode vir a ser Carlos César. Se se confirmar Paulo Rangel [pelo PSD], em conjunto com Nuno Melo, são dois adversários fortíssimos.”

No mesmo espaço de comentário, Marques Mendes abordou a questão da recandidatura de Marcelo rebelo de Sousa à Presidência da República para um segundo mandato. “E, quanto à magna questão da recandidatura, Marcelo recandidata-se ou não? A minha convicção é que sim”. Adiantou depois os cenários possíveis. Se houver maioria absoluta do PS, mesmo que não seja “a situação que um Presidente da República mais aprecie”, Mendes disse não ter dúvidas “de que Marcelo se recandidatará”. “Porque tem uma tarefa essencial a cumprir: fazer o reequilíbrio político. Os portugueses não gostam de ver os ovos todos no mesmo cesto. E, face à fragilidade do PSD, o papel do Presidente não só não fica esvaziado como é decisivo.”

Se não houver maioria absoluta, “repete-se a exigência atual”, diz: “a reeleição do Presidente é necessária, como hoje, enquanto factor de estabilidade e de normalidade do país”. Marques Mendes afirmou que “o mais provável é ter Marcelo durante dois mandatos […] Está no lugar certo no tempo certo”.