António Costa é “um bom líder”, na opinião de Pedro Soares dos Santos, presidente da Jerónimo Martins (dona da cadeia de supermercados Pingo Doce), em entrevista ao Público. O primeiro-ministro “tem a capacidade para construir a paz social para que isto se consiga fazer. E é dos poucos, neste momento, que tem essa força interior e esse conhecimento suficiente do Estado português”. Contudo, Portugal ainda tem reformas estruturais por fazer e Pedro Soares dos Santos preferia ver António Costa acompanhado por partidos que acreditem que é preciso fazer essas reformas e acelerar a redução da dívida. Na opinião do gestor, PCP e Bloco de Esquerda só “atrapalham”.

Os partidos que apoiam a maioria parlamentar de esquerda “têm reivindicado mais deveres do que direitos. Só os vejo a reivindicar. Não os vejo a falar que há obrigações. A vida é feita de obrigações e deveres”, lembra Pedro Soares dos Santos. Por considerar que estes partidos são incapazes de participar em discussões fundamentais para o país, como o papel do Estado e a sustentabilidade da Segurança Social, Soares dos Santos acha que estes partidos “só atrapalham. Porque eles acham que o Estado deve tomar conta de nós como pessoas e não concordo com isso”.

Em entrevista ao Público, que vem na sequência dos elogios que Soares dos Santos fez ao governo durante a última apresentação de resultados, Pedro Soares dos Santos queixa-se, também, do que considera ser uma rigidez do enquadramento legal na área do trabalho. O gestor gostaria que houvesse mais flexibilidade dos horários de trabalho, que se fortalecesse o banco de horas e se aumentasse a flexibilidade nos postos de trabalho.

Há muitas formas de trabalhar. Porque é que uma pessoa não pode ser contratada em função do número de horas que quer trabalhar na semana? Por exemplo, você quer fazer um part-time e diz que quer fazer 12 horas, mas quer fazer 12 horas num dia. Porque é que não pode ser feito?

Não são só os patrões com estes desejo: mais flexibilidade é, também, a “vontade de muita gente”. “Mas os enquadramentos legais não o permitem”, lamenta o gestor, acusando os sindicatos de nem “quererem falar, nem quererem negociar o assunto”. Apesar de haver pouca sindicalização no grupo, Soares dos Santos considera que os sindicatos são uma força de bloqueio. “Com os trabalhadores, se a gente quiser, acerta-se tudo – é fácil”, garante.