O diretor da CIA, Mike Pompeo, vai ser o novo chefe da diplomacia norte-americana. Através do Twitter, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a saída do secretário de Estado, Rex Tillerson e também quem seria o seu sucessor. No mesmo tweet, o presidente norte-americano anunciou que Gina Haspel vai ser a nova diretora da CIA e lembra que é “a primeira mulher” a ocupar o cargo. A saída de Tillerson era há muito esperada pelos especialistas, mas as últimas declarações sobre a morte de um espião russo poderão ter precipitado a saída. A Casa Branca diz que o momento da substituição do secretário de Estado está relacionada com o início do diálogo com a Coreia do Norte.

Uma fonte oficial da Casa Branca, citada pelo New York Times,  justificou o timing da saída de Tillerson com o facto de Trump  já querer ter uma equipa em plenas funções quando iniciar as conversas com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, com quem o presidente dos EUA se encontrará em maio.

Em declarações aos jornalistas na Casa Branca Trump disse que respeitou o “intelecto” de Tillerson e garantiu que sempre “se deu bem com o Rex”. E acrescentou: “Acho que o Rex será muito mais feliz agora“.

De acordo com o subsecretário da diplomacia, Steve Goldstein, Tillerson não falou com Trump e não foi informado sobre os motivos do seu afastamento. A relação azedou e não voltou a ser o que era depois de se ter sabido que Tillerson o chamou de “idiota” numa reunião à porta fechada. Um dos grandes defensores de Tillerson era o chefe de gabinete de Trump, John Kelly, mas desde que o chefe da diplomacia chamou “idiota” a Trump, Kelly mudou de opinião, pois considerou o insulto uma insubordinação.

Fontes próximas de Trump, citadas pela CNN, dizem que era claro para todos que Tillerson não apoiava Trump e que queria gerir a a política externa de sua maneira, sem ter em conta o que decidia o Presidente. Trump não sentiu que Tillerson o apoiava, disse uma fonte à CNN.

O afastamento vai muito além do episódio do “idiota” ou do novo relacionamento com a Coreia do Norte. A vida de Tillerson nunca foi fácil, já que, desde o primeiro momento, Trump o desvalorizou e desautorizou publicamente. Parte dessa subvalorização partia do papel do genro de Trump, Jared Kushner — com quem Tillerson tinha uma relação tensa — já que na prática dirigia um ministério dos Negócios Estrangeiros sombra para questões do Oriente Médio. Já para não falar da embaixadora dos EUA, Nikki Haley, que também assumia o protagonismo nas relações externas à margem de Tillerson.

Os episódios sucederam-se ao longo do mandato. O secretário de Estado viu Trump cortar-lhe as verbas do Departamento de Estado e também escolher Ivanka Trump para o representar na Cimeira do Empreendedorismo na Índia.

Ivanka vai à Índia em representação do pai. Rex Tillerson não gostou e recusou mandar uma equipa de diplomatas a acompanhá-la

Na segunda-feira à noite, antes de ser conhecida a sua saída, o secretário de Estado norte-americano tinha classificado o envenenamento do ex-espião russo Sergei Skripal como “um ato flagrante” que “parece ter vindo claramente da Rússia”. O responsável pela diplomacia dos Estados Unidos pediu ainda “consequências sérias e apropriadas”, tanto para “aqueles que cometeram o crime como para aqueles que o ordenaram”.

“Se [este ataque] veio da Rússia com o conhecimento do Governo russo ou não, ainda não é do meu conhecimento”, acrescentou no entanto o secretário de Estado. As declarações de Tillerson foram feitas na noite de segunda-feira aos jornalistas que viajavam com ele da Nigéria para Cabo Verde, última paragem da viagem pelo continente africano que tem feito nos últimos dias, e representam a posição mais dura tomada até agora por um representante norte-americano — e até britânico.

Questionado sobre se o ataque irá provocar uma resposta por parte do Reino Unido ou dos seus aliados da NATO, Tillerson respondeu: “Vai certamente provocar uma resposta. Ficamos por aqui.”

Rex Tillerson e o caso do ex-espião envenenado: ataque “veio claramente da Rússia” e deve ter “consequências sérias”

A saída de Tillerson era há muito esperada. Em novembro, o New York Times revelou o plano agora executado, inclusivamente o nome de Pompeo como novo chefe da diplomacia.

Casa Branca tem plano para substituir Tillerson por Pompeo