Moçambique

Principais desafios para Moçambique são resultado das dívidas ocultas

Os principais desafios para Moçambique resultam principalmente dos constrangimentos financeiros num contexto de pressões para a despesa e um peso da dívida externa elevado.

KOPANO TLAPE / GCIS / HANDOUT/EPA

Autor
  • Agência Lusa

O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) alertou esta terça-feira que os principais desafios para Moçambique resultam dos constrangimentos financeiros decorrentes da dívida pública elevada e defendeu que o Governo devia apostar na ‘economia azul’ e agroindústria.

“Os principais desafios para Moçambique resultam principalmente dos constrangimentos financeiros num contexto de pressões para a despesa e um peso da dívida externa elevado, que se estima em cerca de 90% do PIB em 2016”, lê-se no relatório da instituição baseada em Abidjan, a capital da Costa do Marfim.

No documento sobre as economias do sul de África, os analistas do BAD escrevem que Moçambique, tal como a Tanzânia, “têm um potencial ainda por explorar na área da industrialização da agricultura e da ‘economia azul'”, referindo-se ao potencial marítimo do país.

No relatório sobre as Perspetivas Económicas do Sul de África (‘Southern Africa Economic Outlook’, no original em inglês), os analistas notam que “a recuperação a seguir à crise, nesta região, revela grande diversidade nos padrões de crescimento, nas respostas aos choques externos e às condições macroeconómicas internas”.

Em Moçambique, apontam, “apesar da crescente dívida, o crescimento acelerou para de 3,8% em 2016 para 4,7% no ano passado, impulsionado pelas exportações minerais”, e deverá acelerar ainda mais este ano para 5,3%.

“A agricultura também teve um forte desempenho, trazendo um alívio muito necessário à inflação, principalmente nos bens alimentares”, acrescenta-se no texto, que nota, ainda assim, que “o défice das contas públicas permanece elevado, e os receios sobre a dívida ‘in distress’ pode fazer reverter os ganhos do crescimento” da economia.

A inflação em Moçambique deve manter-se acima dos 10% este ano, sendo aliás a segunda mais elevada neste grupo de países do sul de África, que inclui também Angola que, como uma inflação acima dos 20%, é o país onde os preços mais subirão este ano.

A degradação das contas públicas é um dos elementos que atravessam a generalidade das economias desta região, colocando “desafios significativos num contexto de baixo crescimento económico”, diz o BAD.

“Moçambique e Zâmbia mostram que reduzir ou adiar investimentos de capital e melhorar a alocação dos recursos internos podem estar entre as poucas opções disponíveis para restaurar a sanidade orçamental”, notam os economistas, concluindo, ainda assim, que “estas estratégias podem ser inimigas do crescimento a longo prazo, uma vez que os investimentos de larga escala em infraestruturas são críticos para impulsionar o crescimento”.

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