Estados Unidos da América

Quem é Gina Haspel, a primeira mulher a ser diretora da CIA

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Aos 61 anos, Gina Haspel é a nova diretora da CIA. A oficial veterana na agência de espionagem supervisionou um programa secreto que submeteu dezenas de terroristas a "interrogatórios selvagens".

@1mjas/Twitter

Gina Haspel, de 61 anos, vai ser a nova diretora da CIA, a primeira mulher a ocupar o cargo na história dos Estados Unidos. O anúncio foi feito esta terça-feira, depois de Donald Trump ter anunciado a saída do secretário de Estado Rex Tillerson, a ser substituído por Mike Pompeo, até agora diretor da agência de espionagem daquele país.

Menos de uma hora após a nomeação de Trump, era divulgada a conta oficial de Twitter da “futura diretora da CIA”, na qual consta apenas um tweet publicado: “Agradeço ao presidente Donald Trump pela nomeação”.

Em fevereiro do ano passado, Haspel tornava-se no número dois da CIA a convite de Mike Pompeo. À data, a revista The New Yorker escrevia que, entre 2003 e 2005, Haspel supervisionou um programa secreto da CIA que submeteu dezenas de terroristas a “interrogatórios selvagens”, com métodos que iam desde a privação de sono ao “waterboarding”, que consiste na simulação de afogamento.

Gina Haspel, que passou a maior parte da carreira infiltrada, é também um nome associado ao interrogatório de Abu Zubaydah, após os ataques de 11 de setembro, suspeito da Al Qaeda que foi torturado de forma tão brutal que chegou a parecer estar morto — segundo relatórios mais tarde divulgados pelo Senado, Zubaydah foi submetido a “waterboarding” um total de 83 vezes até um médico ser forçado a retirar a água dos seus pulmões, e a sua cabeça foi por diversas vezes esmagada contra uma parede. Não é claro, no entanto, se Haspel fez efetivamente parte do interrogatório.

A oficial de longa data da CIA esteve ainda envolvida na decisão de destruir, em 2005, cassetes de vídeo do interrogatório de Zubaydah e também de um segundo suspeito, de nome Abd al-Rahim al-Nashiri, esclarece a revista já citada — interrogatórios esses que aconteceram numa prisão secreta na Tailândia. A decisão terá sido tomada sem qualquer consulta externa, situação que enfureceu membros do Congresso, que são legalmente obrigados a supervisionar a CIA.

Também em fevereiro do ano passado, um alto responsável da organização internacional não-governamental Human Rights Watch, John Sifton, afirmava que a nomeação de Haspel tinha por base o facto de esta ter estado envolvida no programa da CIA conhecido pelas iniciais R.D.I — “rendition, detention, interrogation” (“rendição, detenção e interrogação”, em português) –, que permitia à agência raptar suspeitos de diferentes locais, para depois entregá-los à mercê de países terceiros com a função de os torturar.

Quando Haspel ascendeu a vice-presidente da CIA, pouco tempo depois de Donald Trump tomar posse enquanto 45º presidente dos EUA, o The New York Times escrevia que este era um “sinal raro e público” de como, na administração de Trump, a agência de espionagem estava aparentemente a ser liderada por oficiais que viam o período negro da CIA de uma forma “bem mais gentil” do que os seus antecessores. Durante a campanha eleitoral, Trump chegou defender a tortura e também Mike Pompeo, o novo chefe da diplomacia norte-americana, já disse que a técnica “waterboarding”, entre outras, não se constitui enquanto tortura.

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