Vestígios de ADN de Maëlys de Araújo foram encontrados na casa dos pais do Nordahl Lelandais, o autor confesso da morte da menina de nove anos, onde o próprio vivia. As revelações foram feitas pelos procuradores franceses responsáveis pelo caso, citadas pelo Le Parisien.

A casa dos pais do ex-militar Lelandais já tinha sido alvo de buscas mas os vestígios de ADN só foram encontrados agora. Estas descobertas vêm orientar a investigação noutro sentido. De acordo com o mesmo jornal, os investigadores estão a determinar se os vestígios da ADN revelam que a menina luso-descendente esteve na casa dos pais ou se foram levados para a casa por terceiros.

No dia em que confessou ter matado Maëlys, a 14 de fevereiro, foram encontrados vestígios de sangue no porta-bagagem do carro de Lelandais, um Audi A3. O ex-militar disse que matou a menina “por acidente” perto da sua casa em Domessin (a 10 minutos de carro do local do casamento), escondeu o corpo, voltou para a festa do casamento e mais tarde, voltou para o buscar e escondê-lo noutro local. Depois de confessar que enterrou o corpo num bosque, Lelandais levou as autoridades ao local do crime para identificar o sítio em que deixou o cadáver.

A menina luso-descendente desapareceu na madrugada de 26 para 27 de agosto do ano passado, numa quinta na região de Pont-de-Beauvoisin, em França, a cerca de 85 quilómetros de Lyon. A criança estava numa festa de casamento e foi vista, pela última vez, na sala das crianças. A mãe da menina, prima da noiva, deu por falta da filha quando passavam poucos minutos das 3 horas da manhã.

Logo nessa noite foram detidas duas pessoas. Uma delas foi Lelandais, que era convidado do noivo e descrito como amigo do pai de Maëlys, embora os pais da menina, Joachim e Jennifer de Araújo, tenham negado conhecê-lo. Lelandais garantiu no interrogatório inicial à polícia que não saiu do local da festa mas outros convidados disseram que o tinham visto ausentar-se no momento em que a menina terá desaparecido.

Lelandais reconheceu, mais tarde, que mentiu. As autoridades resolveram prolongar o seu prazo de detenção por mais um dia, mas acabaram por libertá-lo no dia seguinte. Lelandais, que já era conhecido da polícia local por “delitos comuns”, entre os quais consumo de drogas, ficou em prisão preventiva — dois dias depois de ter sido libertado — depois de a polícia ter descoberto vestígios de ADN no painel de controlo do carro e o próprio suspeito ter admitido que a menina esteve no interior da viatura.

Em janeiro deste ano, os pais da criança disseram ter conseguido identificar a filha nas imagens de videovigilância que mostram o carro de Lelandais, um Audi A3, a abandonar o local do casamento. Maelys seguia no lugar do “pendura” e saiu por volta das 2h45. No momento em que Lelandais regressou, vinha sozinho.