Mercados Financeiros

Portugal tira partido dos “ratings” para pagar menos de 3% por dívida a 27 anos

Títulos com maturidade ultra-longa foram colocados com uma taxa implícita de 2,8%, o que compara com os quase 4% que se pagaram numa emissão parecida feita em julho. A 10 anos, taxa também caiu.

Sergio Barrenechea/EPA

Obrigações do Tesouro português com maturidade ultra-longa — 27 anos — foram colocadas esta quarta-feira com uma taxa implícita de 2,8%, o que compara com os quase 4% que se pagaram numa emissão parecida feita em julho. É este o impacto prático de os ratings terem saído de “grau especulativo” (lixo) em setembro do ano passado, o que aumenta a quantidade e o tipo de investidores disponíveis para comprar dívida pública portuguesa.

Segundo os resultados da operação avançado pela agência Bloomberg, os 275 milhões de euros colocados ao abrigo desta linha com maturidade em 2045 saíram com uma taxa de juro de 2,8%. Na relação entre a procura entre os investidores e o montante efetivamente colocado, o rácio foi de 2,8 vezes — na operação de julho, apesar de a rendibilidade oferecida ser maior (cerca de 4%), a procura superou a oferta em 2,15 vezes.

Nesta quarta-feira foram, também, emitidos 975 milhões de euros em dívida com vencimento a 10 anos, em 2028. Também nessa operação a taxa baixou: 1,78% (que compara com os 2,05% pagos no leilão feito há um mês).

“Foram duas emissões de dívida com bastante sucesso e em ambas Portugal conseguiu emitir dívida com as taxas mais baixas de sempre para estes prazos”, considera Filipe Silva, diretor de gestão de ativos do Banco Carregosa. O especialista lembra que “basta dizer que esta taxa de 2,8% foi o que se pagou por dívida a 10 anos emitida em setembro de 2017 (2,78%).  Agora, com a mesma taxa conseguimos dívida que só se vence em 2045”.

Estas duas operações mostram que o prémio de risco da dívida portuguesa baixou drasticamente o que é muito bom para os interesses do país, dado sobretudo tratar-se de dívida longa.  Estes resultados irão certamente ter impacto também no custo de financiamento de empresas portuguesas que queiram emitir dívida no mercado.”

Como é que estes juros comparam com outros países?

Os juros comparativamente baixos são fruto da política monetária na zona euro, com estímulos extraordinários ainda em curso, e, no caso de Portugal, as subidas de rating pela S&P e pela Fitch (falta a Moody’s) estão há vários meses a dar frutos.

Mas como é que comparam estas taxas com o que se paga noutros países? Em Espanha, por exemplo, a linha de obrigações com maturidade em 2046 (semelhante aos 2045 de Portugal) está a ser negociada no mercado com taxas implícitas inferiores a 2,5%. A 10 anos, os investidores estão a pedir 1,4% para emprestar ao Estado espanhol.

O efeito crucial da política monetária na zona euro é, também, visível no facto de que à Alemanha os investidores estão disponíveis para emprestar a 30 anos com uma rendibilidade implícita de apenas 1,25%. A 10 anos, passam ligeiramente de 0,6% os juros pedidos à Alemanha.

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