Sporting

Ainda há “Migueis Garcias” (a crónica do Viktoria Plzen-Sporting)

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O "improvável" Battaglia, que não conseguia marcar de cabeça há mais de dois anos, resolveu um encontro (e a eliminatória) que Marek Bakos complicou. Sporting perde (2-1) mas segue em frente.

MICHAL CIZEK/AFP/Getty Images

Último minuto da partida. Último minuto, Sporting… Vai ser levantado o pontapé de canto lá pela esquerda. Pontapé de canto vai ser levantado, coração da área… Golo, golo, golo, golo, golo, golo, golo, golo, golo, golo, gooooolo! Gooooolo! É golo, é golo, é golo, é golo, é golo. Eu te amo. Eu te amo, Sporting! Eu te amo, Sporting! Eu te amo, Sporting! Goloooooooooo! Que bonito é. Que bonito é. As bandeiras… são poucas, são poucas, são poucas. Mas estão desfraldadas ao vento.”

Jorge Perestrelo, Alkmaar, 5 de maio de 2005

Jorge deixou-nos cedo demais, naquela noite chuvosa. E o golo, improvável e épico, de Miguel Garcia já foi há tanto tempo. O minuto longo era aquele que poucas vezes se avista no placard dos estádios, 121:07, não tardaria e Claus Bo Larsen, o árbitro, apitaria o fim, mas havia ainda um derradeiro canto à esquerda para o Sporting. Bateu-o o chileno Tello, de pé esquerdo, para o primeiro poste. Entre a angústia da quase certa derrota (e mais do que a derrota, o ver-se afastado da final da Taça UEFA a disputar na própria casa) e a réstia de esperança no apuramento que há num corpo encharcado e já esvaziado de força, o Sporting acreditou e até o guarda-redes, Ricardo, havia deixado a sua baliza e subido até à grande área do AZ Alkmaar. Não foi Ricardo o herói de Alkmaar. Foi outro, foi Miguel Garcia, que se antecipou a Ricardo (ele também “a” queria) na procura da bola, se antecipou à defesa holandesa, e cabeceou. O lateral, que nem era de subir à grande área, que nem era de subir e fazer golos, fez-se imortal no futebol.

Ainda há “Migueis Garcias” a vestir de verde-e-branco, heróis improváveis e nos instantes derradeiros. Esse herói, em Plzen e não em Alkmaar, foi Rodrigo Battaglia. O minuto era o 107. Lá chegaremos.

Viktoria Plzen-Sporting, 2-1 (2-3)

Doosan Arena, em Plzen, na República Checa

Liga Europa 2017/18, Oitavos-de-Final (segunda-mão)

Árbitro: Tobias Stieler (Alemanha)

Viktoria Plzen: Hruska; Milan Havel, Reznik (Hejda, 106’), Hajek e Kovarik; Horava, Hrosobvsky, Zeman (Petrzela, 100’), Kolar e Kopic; Marek Bakos (Krmencik, 83’)

Suplentes não utilizados: Kozacik, Cemak, Zivulic e Ivanschitz

Treinador: Pavel Vrba

Sporting: Rui Patrício; Battaglia, André Pinto, Mathieu e Fábio Coentrão; Petrovic (Piccini, 67’), Bruno Fernandes, Gelson Martins e Acuña (Fredy Montero, 76’); Bryan Ruiz (Rúben Ribeiro, 100’) e Bas Dost

Suplentes não utilizados: Salin, Ristovski, Palhinha e Rafael Barbosa

Treinador: Jorge Jesus

Golos: Marek Bakos (6’; 65’) e Battaglia (107’)

Ação disciplinar: Cartão amarelo para Bryan Ruiz (78’), Hajek (95’), Rezník (101’), Petrzela (108’) e Bas Dost (121’)

O Sporting trazia de Alvalade uma vantagem (2-0) que parecia impossível de perder. Mas perdeu-a. Logo ao minuto três, Jan Kovarík cruza à esquerda para o segundo poste, surgem dois checos isolados (em fora-de-jogo? É difícil afirmar…) para cabecear e é o capitão Marek Bakos quem acaba por o fazer. O mesmo Bakos que, na segunda parte, ao minuto 65, empatou tudo: Radim Rezník desmarca Milan Havel na grande área, à direita, Havel cruza e Bakos surge ao primeiro poste a rematar para o segundo golo.

O Sporting jogou pouco mas o suficiente para não precisar de tempo extra. Mas foi mesmo preciso o tempo extra.

Ao minuto 39, Bruno Fernandes cruzou longo para a grande área, Bas Dost amorteceu de cabeça e deixou Bryan Ruiz isolado. O costa-riquenho enche o pé esquerdo. Tanto enche, que o remate sai ao lado e esvaziou-se a chance, então, do empate. Contado ninguém acredita. Logo após o recomeço, ao minuto 49, Bruno Fernandes rematou forte à entrada da grande área, o guarda-redes Ales Hruska defendeu para a frente e à frente estava, sozinho, Acuña. O primeiro remate do argentino vai ao poste. Na recarga, e com a baliza à mercê e Hruska caído, Acuña volta a rematar, agora por cima da barra. Não, contado ninguém acredita. Ao minuto 89, o holandês Dost isola-se e é travado por Radim Rezník. Priiiii… Penálti! Na conversão, Dost rematou (denunciado o suficiente para Ales Hruska adivinhar) para o centro da baliza e o guarda-redes chego defendeu. Na recarga, Bruno Fernandes atira por cima da barra. Acredite. E acredite que ao minuto, Bruno Fernandes cruza, Bryan Ruiz surge sozinho frente a Ales Hruska e cabeceia à figura do guarda-redes do Plzen.

Rodrigo Battaglia assistia a tantos falhanços sem intervir em nenhum.

Primeiro foi lateral direito, depois trinco. E fazia tudo bem atrás: oito desarmes, seis duelos aéreos ganhos em seis possíveis, cinco alívios quando a hora era de aliviar. Ao tal minuto 107 resolveu subir até à grande área. Como Miguel Garcia. O canto seria à direita. Como foi o de Tello. Bruno Fernandes bateu-o, Rodrigo Battaglia (o improvável Battaglia, que não conseguia marcar de cabeça há mais de dois anos) salta mais alto na pequena área e desvia para o golo que apurou o Sporting para os “quartos”.

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