Pelo menos quatro pessoas morreram após a queda da ponte pedonal na Universidade Internacional da Flórida, confirmou a polícia e o senador Bill Nelson à CBS. Mas o número pode aumentar. Nove pessoas foram transportadas para o hospital, uma delas em coma e duas em estado grave. A ponte foi construída na semana passada, custou 14,2 milhões de dólares e foi edificada no âmbito de um orçamento de 19,4 milhões de dólares entregue ao Departamento dos Transportes dos Estados Unidos. Um porta-voz da patrulha policial do condado já admitiu que o acidente pode ter provocado “vários mortos”.

Oito carros ficaram soterrados, segundo a polícia, confirmando o que mostram os vídeos. Inicialmente, as autoridades disseram não estar certas sobre se existiam pessoas no interior deles, o que se confirmou no desenrolar “da missão de resgate” debaixo dos escombros.

De ardo com as autoridades, a ponte passa por cima de uma estrada transversal a Miami, que é também uma das mais movimentadas. A construção terá colapsado numa altura em que o sinal vermelho estava aberto para os automóveis, por isso a ponte caiu em cima dos carros que esperavam pelo sinal verde para avançar. Pouca gente utiliza a ponte esta altura do ano: ela é principalmente utilizada por estudantes da universidade, que está em período de férias.

De acordo com a BBC, a ponte tem 950 toneladas, 52 metros de comprimento e está aberta ao público desde sábado. A universidade emitiu um comunicado dizendo estar “envolvida em esforços de resgate” e afirmando estar “a trabalhar de perto com as autoridades” enviadas para o local. Os serviços de emergência do Condado de Miami-Dade também pediram à população que evitasse a região, visto que a ponte passa por cima de uma estrada agitada.

A ponte foi construída numa fábrica. Depois o trânsito foi cortado e a ponte, por inteiro, foi transportada por camiões para ser montada no local. A operação de montagem aconteceu há cinco dias, mas a estrutura — que tinha sido pensada para resistir a ventos ciclónicos de nível 5 e para durar um século — cedeu esta quinta-feira. O National Transportation Safety Board, uma comissão independente relacionada com o trânsito nos Estados Unidos, vai abrir uma investigação a este acidente. A universidade, a quem pertence a ponte, disse em comunicado partilhado no Twitter que está “chocada e triste”.

Está é a primeira ponte no mundo a ser construída inteiramente de cimento com mecanismo de auto-limpeza: o dióxido de titânio de que é composto, quando exposto à luz solar, captura partículas poluentes do ar e limpa próprias superfícies.

O orçamento para esta ponte pedonal foi aceite depois de um estudante ter sido mortalmente atropelado em agosto de 2017 enquanto atravessava a estrava, confirmado os pedidos há muito feitos pelos habitantes: a necessidade de uma ponte pedonal que permitisse à vizinhança das universidades evitar o intenso trânsito na estrada, que foi cortada na sequência deste acidente.

De acordo com um outro comunicado da universidade, esta ponte foi criada com métodos de construção acelerada porque “reduzem o potencial risco para trabalhadores, pessoas que a utilizam diariamente e peões, assim como minimizam interrupções de tráfego”. A Federal Highway Administration afirma que a forma como a ponte foi construída “reduz o tempo de operação no local” em caso de necessidade de reparação e “aumenta a segurança na zona para o público viajante”.

Algumas das empresas responsáveis pela construção da ponte já reagiram ao acidente. A MCM enviou um comunicado onde diz: “Os nossos pêsames a todos os envolvidos nesta tragédia. A nova Ponte da Cidade Universitária, que estava em construção, experenciou um colapso catastrófico que causou feridos e perdas de vidas. A MCM vai conduzir uma investigação completa para determinar exatamente o que correu mal e vamos cooperar com as investigações de todas as formas”. Outra companhia, a FIGG, também já se manifestou: “A nossa amizade a todos os afetados pelo acidente. Vamos cooperar na totalidade com todas as autoridades competentes para rever o que aconteceu e porquê. Em 40 anos de história, nunca aconteceu nada assim”.