“Colo”

O penúltimo filme de Teresa Vilaverde competiu no Festival de Berlim do ano passado (entretanto, a cineasta já fez o documentário “O Termómetro de Galileu”, que também já anda em festivais). “Colo” vem juntar-se às várias ficções já existentes, e com registos muito diferentes, sobre a crise e o impacto que teve nos portugueses, como “São Jorge”, de Marco Martins, a “Fábrica de Nada”, de Pedro Pinho ou “Índice Médio de Felicidade”, de Joaquim Leitão.

É a crónica soturna e reservada da inexorável desagregação doméstica, emocional e anímica de uma família da classe média de Lisboa — pai desempregado (João Pedro Vaz), mãe exausta por ter dois trabalhos (Beatriz Batarda) e filha adolescente em angústia (Alice Albergaria Borges) –, que Villaverde sugere ter começado ainda antes da crise económica se ter instalado, e ser a expressão microcósmica de um mal-estar social e nacional mais amplo. Com interpretações muito frágeis das duas jovens actrizes e um final (deliberadamente) em suspensão,“Colo” teria ainda beneficiado em ser menos longo.

“O Último Retrato”

Na sua quinta longa-metragem como realizador, o actor Stanley Tucci (“Terminal de Aeroporto”, “Julie & Julia”) filma uma história real, contada num livro pelo crítico e escritor americano James Lord. Este estava em Paris, em 1964, quando o seu amigo, o escultor e pintor suíço Alberto Giacometti, lhe pediu para posar para um retrato. Era para ser obra rápida, mas Lord acabou por ficar retido muito mais tempo do que esperaria, por culpa do caos em que Giacometti vivia e trabalhava, dividindo-se entre a mulher e uma prostituta, e mostrando-se sempre descontente com aquilo que criava.

“O Último Retrato” é cinema enquanto ilustração de uma anedota biográfica, cruzado de retrato estereotipado do artista como excêntrico desarticulado da realidade e desdenhoso de tudo que seja obrigação ou convenção social – a começar pelo dinheiro. Armie Hamer no papel do sofredor Lord e Geoffrey Rush no de Giacometti (e igualzinho a ele), ajudam Tucci a levar a água ao seu modesto mas curioso moinho. Entretém e depois arquiva-se.

“Tomb Raider”

Eis o terceiro filme, e o “reboot”, da série cujas primeiras duas entradas, de 2001 e 2003, respectivamente, tiveram Angelina Jolie no papel de Lara Croft, a “sexy” e aventureira arqueóloga inglesa do jogo de vídeo homónimo.  Esta nova fita, assinada pelo norueguês Roar Uthaug, realizador do filme-catástrofe “Alerta Tsunami” (2015), o primeiro deste género feito na Escandinávia, foi concebida para corresponder à edição de 2013 do jogo “Tomb Raider”, em que as origens de Lara Croft eram reelaboradas.

Tal como Alicia Vikander a personifica, Lara Croft é agora uma rapariga de 21 anos que trabalha como estafeta de bicicleta, e cujo pai, o riquíssimo lorde Richard Croft (Dominic West), desapareceu na sequência de uma viagem ao Japão. Lara vai descobrir que ele não era apenas um  homem de negócios, mas também um intrépido arqueólogo, numa missão envolvendo o túmulo de uma mítica e maléfica rainha, e uma poderosa organização secreta mundial. “Tomb Raider” foi escolhido pelo Observador como filme da semana, e pode ler a crítica aqui.