O Inverno tem destas coisas. Seja pelo rigor das condições atmosféricas, condimentadas por um cerca dose de falta de manutenção, a verdade é que, com as chuvas, chegam também os buracos no pavimento, uma verdadeira tortura para condutores, de duas e quatro rodas. Após os acidentes, os utilizadores da via pública cumprem o seu papel, processando as entidades responsáveis pelos danos nos seus veículos, mas nem sempre a reclamação é bem aceite. E, por vezes, até suscita reacções bem negativas.

Vem isto a propósito de um artigo, publicado pelo Moscow Times, onde se conta a história de Andrei Chikin, de Penza, a cerca de 600 km a sul de Moscovo, cidade com pouco mais de meio milhão de habitantes. Ao que parece, Chikin deslocava-se na sua bicicleta quando lhe surgiu um buraco no caminho. Do encontro imediato resultou alguns danos no velocípede e na pele do russo que, como normalmente acontece – ou devia acontecer –, apresentou uma queixa na polícia local, em relação ao mau estado da via pública.

O que aconteceu de seguida conseguiu surpreender Chikin ainda mais do que o trambolhão. Sucede que, ou porque o buraco tinha um valor sentimental para a polícia de Penza, ou porque as autoridades russas preferem os ciclistas que ficam todos esfacelados após uma queda e não reclamam, a verdade é que Andrei Chikin acabou por ser multado, alegadamente por ter provocado danos no buraco. Provavelmente, por ter deixado pele nalguma aresta mais aguçada.

O ciclista reagiu, apresentando uma reclamação à conduta policial e postando tudo no Facebook russo, o VK ou VKontakte, o que teve como consequência uma marcha-atrás na posição dos senhores agentes, que num gesto benemérito trocaram a multa por uma repreensão verbal. E, por milagre, o buraco da discórdia foi de imediato reparado.

Não sabemos o que aconteceu à conta da reparação da bicicleta que, apesar de ser uma mountain bike, a sua robustez não se mostrou à altura dos desafios das ruas de Penza.