Duas mulheres muçulmanas apresentaram esta semana queixas-crime contra a cidade de Nova Iorque depois de a polícia as ter obrigado a remover o hijab (véu islâmico com que algumas mulheres cobrem a cabeça) para serem fotografadas numa esquadra de polícia. Jamilla Clark e Arwa Aziz tinham sido detidas por terem violado ordens de restrição, que têm suscitado dúvidas.

Com o apoio de uma associação que luta pelos direitos das mulheres, as duas muçulmanas querem que a polícia de Nova Iorque mude a sua prática de forma a respeitar as crenças religiosas até nos momentos em que as pessoas são detidas.

“Pedir a uma mulher muçulmana para retirar o seu hijab em público é semelhante a exigir que uma pessoa secular fique completamente nua em frente a estranhos”, lê-se no processo, citado pela agência Associated Press.

Fonte oficial das autoridades nova-iorquinas reagiu ao processo afirmando que a cidade está “confiante de que as políticas do departamento de polícia da cidade, que dizem respeito à cobertura da cabeça por motivos religiosos, cumprem os padrões constitucionais”, uma vez que “equilibra cautelosamente o respeito pelos costumes de todas as religiões com a necessidade legítima das autoridades de tirar fotografias no momento da detenção”.

“As pessoas que não desejam retirar as coberturas religiosas em frente a outros têm a opção de ser levadas para instalações separadas, mais privadas, para serem fotografadas”, explicou ainda a mesma fonte.

As duas mulheres, Jamilla Clark e Arwa Aziz, foram detidas por terem violado ordens de restrição que a Associated Press descreve como não sendo genuínas.

No que diz respeito a Jamilla Clark, tinha sido o seu ex-marido, que abusava dela, a pedir a ordem de restrição, tendo inventado as acusações para garantir que mantinha o seu estatuto de emigrante legal como suposta vítima de violência doméstica. Já no que toca a Arwa Aziz, tinha sido a sua cunhada a pedir a ordem de restrição por motivos de vingança.

Segundo explica a notícia da Associated Press, as duas mulheres foram forçadas a descer o hijab até aos ombros, ficando a chorar em frente aos agentes da polícia e a mais de 30 homens que também estavam detidos, à espera para também serem fotografados.

O processo interposto pelas duas mulheres e pela associação afirma que esta atitude por parte das autoridades viola a primeira emenda da Constituição, além de várias leis federais.