Presidente Trump

Trump diz que Andrew McCabe nunca tirou notas e acusa-o de ter documentos falsos

Depois de vir a público que Robert Mueller poderia utilizar notas dos encontros entre o antigo diretor adjunto do FBI e o presidente, Donald Trump apressou-se a acusar Andrew McCabe de mentir.

Donald Trump atacou a equipa especial do procurador Robert Mueller por ter 13 democratas, alguns fortes apoiantes de Hillary Clinton, e nenhum republicano

Getty Images

Depois de a imprensa norte-americana ter noticiado que o procurador especial Robert Mueller, que está a investigar a interferência da Rússia nas eleições de 2016, tinha notas escritas dos encontros entre Donald Trump e Andrew McCabe (o antigo diretor adjunto do FBI que foi despedido a dois dias de se poder reformar), o presidente dos Estados Unidos veio garantir que McCabe “nunca tirou notas” nesses encontros.

“Passei muito pouco tempo com Andrew McCabe, mas ele nunca tirou notas quando esteve comigo. Não acredito que ele tenha feito memorandos a não ser para ajudar à sua própria agenda, provavelmente posteriormente. O mesmo com o mentiroso James Comey. Podemos chamar-lhes ‘Fake Memos’?”, escreveu Donald Trump no Twitter este domingo.

Num tweet posterior, Donald Trump atacou a equipa especial do procurador Robert Mueller por ter 13 democratas, alguns fortes apoiantes de Hillary Clinton, e nenhum republicano. “E mais um democrata foi recentemente adicionado. Alguém acha isto justo? Ainda assim, não houve nenhum conluio”, escreveu o presidente norte-americano.

Na noite de sábado, a CNN noticiou que Robert Mueller, o líder do conselho especial que está a investir a alegada interferência russa na campanha eleitoral de 2016 — incluindo possíveis contactos entre a equipa de Trump e oficiais russos –, tinha na sua posse os documentos e que os poderia usar na investigação.

McCabe, numa entrevista à CNN, revelou que Trump, das três conversas que tiveram por telefone, o criticou sempre pelo facto de a mulher de McCabe ter perdido as eleições para o senado no estado da Virginia. Na mesma entrevista, o antigo membro do FBI afirmou que Donald Trump lhe perguntou em quem tinha votado na eleições presidenciais quando ocupou o cargo diretor interino do FBI, em janeiro.

Na noite de sexta-feira, o procurador-geral dos EUA, Jeff Sessions, despediu o antigo diretor adjunto do FBI Andrew McCabe, a menos de dois dias de McCabe se poder reformar. No Twitter, Trump disse que a demissão do antigo líder do FBI representava “um grande dia para a democracia” e “para os homens e mulheres que trabalham no FBI”.

Na noite de sexta-feira, McCabe reagiu à demissão. “Este ataque à minha credibilidade é parte de um esforço maior não apenas para me caluniar, mas também para manchar o FBI, as autoridades e os profissionais dos serviços de informação”, disse o antigo diretor adjunto em declarações citadas pela CNN.

A demissão, continou McCabe, “é parte da guerra desta administração contra o FBI e os esforços da investigação do conselho especial [que está a investigar a interferência russa nas eleições], que continua até hoje”. “A persistência deles nesta campanha só reforça a importância do trabalho do conselho especial”, afirmou.

Andrew McCabe foi o diretor interino do FBI no verão passado, quando Donald Trump despediu James Comey, o diretor da agência que reabriu a investigação aos emails de Hillary Clinton e que ajudou a reverter o rumo da campanha eleitoral, dando a vitória ao empresário.

Contudo, Comey viria a ser despedido por ter assumido que o FBI estava a investigar a interferência russa nas eleições, afirmando mesmo que a investigação seguiria as provas até onde elas levassem — incluindo a Trump.

Donald Trump parece ter centrado em Andrew McCabe todo o azedume que lhe causa a investigação que procura esclarecer se a equipa de campanha do multimilionário norte-americano se concertou com os russos para influenciar os resultados das eleições presidenciais de 2016.

Donald Trump parece ter centrado em Andrew McCabe todo o azedume que lhe causa a investigação que procura esclarecer se a equipa de campanha do multimilionário norte-americano se concertou com os russos para influenciar os resultados das eleições presidenciais de 201

Pouco depois de demitir Comey da direção da polícia federal, Trump convocou à Casa Branca Andrew McCabe, a quem cabia a tarefa de dirigir interinamente o prestigiado departamento centenário de 30 mil funcionários ciosos da sua independência, e perguntou-lhe em quem tinha ele votado nas presidenciais, de acordo com uma reportagem publicada no Washington Post.

Depois da saída de Comey, Andrew McCabe foi confrontado com várias questões sobre o funcionamento interno da organização e as (alegadas) relações entre a campanha de Trump e responsáveis russos. Quando foi ouvido pelo Congresso norte-americano, McCabe garantiu que o organismo de investigação que dirige temporariamente não era abalado por pressões.

Em janeiro, Andrew McCabe demitiu-se de diretor adjunto com efeitos imediatos na sequência das críticas de que foi alvo por parte de Donald Trump — era público que o presidente queria McCabe fora da liderança do FBI.

Contudo, McCabe ficaria como funcionário do FBI até este domingo, dia em que completará 50 anos de idade, passando a ser elegível para receber os benefícios da reforma antecipada. A demissão imposta pela Casa Branca na sexta-feira poderá pôr em causa esses benefícios.

Donald Trump está em funções há pouco mais de um ano mas já demitiu 20 elementos da sua administração e motivou várias outras em organismos estatais. A saída mais recente foi a de Rex Tillerson, o secretário de Estado, demitido no início da semana passada.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: jfgomes@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)