O (histórico) ex-líder da Comissão de Trabalhadores da AutoEuropa, António Chora, antevê um novo período de instabilidade na empresa, por causa do trabalho ao domingo. Em entrevista ao jornal “Eco“, Chora diz que a comissão de trabalhadores está, neste momento, controlada por “populistas” que “prometem que ninguém vai trabalhar aos sábados, que ninguém vai trabalhar aos domingos, que é tudo muito bonito”. “Negociar para fazer mais carros é fácil, manter empregos quando não há trabalho é que é difícil”, atira o antigo responsável pelas negociações laborais na empresa.

Depois do acordo assinado recentemente na AutoEuropa, “agora a questão parou um bocadinho, efetivamente fizeram um acordo, extremamente inteligente, que foi aprovado e ainda vai manter a paz social na empresa pelo menos até lá para maio ou abril, até começarem a negociar os horários futuros, o horário de domingo, que é o que falta neste momento”, comenta António Chora.

O ex-líder da Comissão de Trabalhadores, que se reformou em janeiro de 2017, considera que a comissão de trabalhadores não estaria preparada para negociar com uma “empresa extremamente dura a negociar” como é a Volkswagen.

“Eu negociei 22 anos com eles, sei perfeitamente do que estou a falar— e viram que afinal têm de fazer sábados, e que afinal ainda vão ter de fazer domingos, muito provavelmente”, comenta António Chora, acrescentando que “seria para o bem de todos, e pelo menos para o bem dos que entraram agora, porque o emprego deles depende de a empresa ter muita produção…”. “Negociar para fazer mais carros é fácil, manter empregos quando não há trabalho é que é difícil”, atira o antigo responsável pelas negociações laborais na empresa.

Vendo de fora, António Chora diz que a sua “aflição” não é o que se fala da Autoeuropa em Portugal, mas o que estava a atravessar as fronteiras. “Falar muito na Autoeuropa além-fronteiras pode criar alguns obstáculos a decisões futuras, e as decisões futuras são feitas sempre com quatro, cinco ou seis anos de antecedência”, avisa o ex-líder da Comissão de Trabalhadores da AutoEuropa.

Numa altura em que a AutoEuropa está a produzir um modelo importante para o grupo alemão, o T-Roc, António Chora avisa que se, um dia, a Volkswagen “pensar que não pode pôr aqui um carro a produzir 200 e tal mil unidades, mete um que produz 80 mil”.