O ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, anunciou esta terça-feira, em Lisboa, que o Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) vai receber uma peça “das mais significativas” da Coleção do Novo Banco, que será em breve apresentada.

O ministro falava numa cerimónia no MNAA, de apresentação da pintura “A Anunciação”, adquirida pelo Estado, num leilão, em Nova Iorque, em fevereiro, por 280 mil euros, tornando-se a primeira obra deste artista a entrar na coleção daquela entidade.

De acordo com o ministro, graças a um acordo entre a administração do Novo Banco e o Ministério da Cultura firmado este ano, “serão colocadas à fruição pública em museus de todas as regiões do país” peças daquela coleção de arte privada, e “uma das mais significativas será depositada no Museu Nacional de Arte Antiga”, sem adiantar qual.

Luís Filipe Castro Mendes falava perante o primeiro-ministro, António Costa, o secretário de Estado da Cultura, Miguel Honrado, a diretora-geral do Património Cultural, Paula Silva, e o diretor do museu, António Filipe Pimentel, que se encontravam presentes na cerimónia de apresentação do quadro.

Sobre a pintura “A Anunciação”, que foi colocada na mesma sala dos Painéis de São Vicente, atribuídos a Nuno Gonçalves, o ministro da Cultura sublinhou que, “pelos valores envolvidos em todas estas operações [relacionadas com o leilão], [será] uma das maiores incorporações de bens artísticos nas coleções nacionais de que há memória desde a Implantação da República”.

A pintura foi comprada por 350 mil dólares (280 mil euros), num leilão da Sotheby´s, em Nova Iorque, em fevereiro, com o apoio do Grupo dos Amigos do MNAA, e passa a estar em exposição permanente no museu.

Parte de um díptico pintado pelo artista português Álvaro Pires de Évora, entre 1430 e 1434, “A Anunciação” passou a ser a segunda pintura conhecida do autor em Portugal, depois de “A Virgem com o Menino entre S. Bartolomeu e Santo Antão, sob a Anunciação”, que pertence ao acervo do Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo, em Évora.

Alertado para o anúncio do leilão pela direção do museu e pela Direção-Geral do Património Cultural, o ministro mandou publicar um despacho em que foi possível mobilizar 250 mil euros das verbas do Fundo de Fomento Cultural para licitar a obra, recordou.

A este valor, viriam a ser acrescentadas as custas inerentes às comissões de venda, no valor de cerca de 90 mil euros, saídas das verbas da DGPC, num “esforço financeiro do Estado correspondeu a 90% dos valores envolvidos na aquisição”.

Para perfazer os restantes 10% da totalidade dos valores envolvidos na aquisição, os Amigos do Museu contribuíram com 25 mil euros e foram ainda mobilizados, pela direção do MNAA, cerca de 6.000 mil euros que sobraram da campanha de angariação de fundos para a aquisição da “Adoração dos Magos” de Domingos Sequeira.

“Congratulamo-nos com esta aquisição, que dá continuidade e reforça as políticas do Governo e do Ministério da Cultura para a valorização das coleções nacionais, que se iniciaram com a decisão de permanência em Portugal das 85 obras de Miró, a serem expostas no Museu de Arte Contemporânea de Serralves, e prosseguiram, no final do ano passado, com a aquisição de seis importantes obras de Maria Helena Vieira da Silva, em exposição no Museu da Fundação Arpad Szenes/Vieira da Silva”, apontou o ministro.

Esta obra, “atribuída ao pintor Álvaro Pires de Évora por importantes historiadores e críticos de arte, vem enriquecer e alargar o âmbito cronológico e estilístico da coleção do principal Museu de Arte Antiga em Portugal, em Lisboa, onde a obra desse mestre ainda não se encontrava representada”.

“Com efeito, ‘A Anunciação’, obra que terá formado um díptico com outra tábua de temática e paradeiro desconhecidos, foi pintada cerca de 1430-1434, época final da atividade conhecida desse pintor de origem portuguesa, integrado na Escola Italiana da primeira metade de Quatrocentos”, indicou.

Por seu turno, António Filipe Pimentel também se congratulou com a incorporação desta “obra monumental” no museu, considerando o dia de hoje “muito feliz na história” daquela entidade, pela introdução de um novo elo nas obras expostas, que cumpre “um sonho de há 25 anos”.

Também em fevereiro, foi leiloada, em Lisboa, pela Cabral Moncada Leilões, outra pintura do mesmo autor, “São Cosme”, por 75 mil euros, que acabou por ser comprada por privados, mas que se encontra em vias de classificação pelo Estado.

Álvaro Pires de Évora, pintor que nasceu em Portugal na primeira metade do século XV, viveu quase toda a sua vida em Itália, está documentado na região da Toscana, em Itália, entre 1411 e 1434, começando pela sua integração num grupo de pintores florentinos encarregados de pintar a fachada do palácio del Ceppo, em Prato, pertencente ao mercador e banqueiro Francesco Datini.

Português de nascimento, mas artisticamente enquadrado na pintura italiana, os especialistas desconhecem as razões para a sua ida para aquele país, numa altura em que a pintura apenas despontava em Portugal.