A produtora de Harvey Weinstein, o produtor norte-americano caído em desgraça depois de sucessivas denúncias de assédio sexual, declarou falência na passada segunda-feira, libertando os seus cerca de 100 trabalhadores das regras de sigilo profissional, escreve o The Guardian.

A empresa The Weinstein Co. — com passivos e ativos entre os 500 milhões e os mil milhões de dólares (406 e 810 milhões de euros) —  foi vendida parcialmente a um fundo de capital de risco, a Lantern Capital Partners, que apenas vai comprar os ativos da empresa.

“Hoje, a empresa dá um passo importante e justo tendo em conta as vítimas que foram silenciadas por Harvey Weinstein”, lê-se no comunicado emitido pela produtora. “Desde outubro, tem sido noticiado que Harvey Weinstein usou acordos de não divulgação como arma secreta para silenciar os seus acusadores. Esses ‘acordos’ terminaram, com efeito imediato”, continua o comunicado.

Investidores desistem da compra de produtora de Weinstein

A notícia surge depois de a produtora ter passado meses à procura de um investidor. No início do ano a produtora encontrou um comprador, mas o grupo de investidores recuou após descobrir que o valor da dívida da empresa era mais elevado do que o previamente anunciado. A transação da empresa fundada por Harvey Weinstein para o grupo liderado por Maria Contreras-Sweet fracassou depois de os investidores descobrirem que a dívida da produtora era de 280 milhões de dólares e não de 225 milhões, segundo fontes citadas pela Reuters.

Mais de 70 mulheres acusaram Weinstein — que fundou a produtora com o irmão — de assédio sexual e também de violação, na sequência de uma grande reportagem do The New York Times. O produtor norte-americano tem negado sucessivamente todas as alegações de sexo não consensual.

Depois de ser afastado de organizações como o Sindicato de Produtores e a Academy of Motion Picture Arts and Sciences, responsável pelos Óscares, Harvey Weinstein acabou por ser despedido pela administração da própria empresa em outubro do ano passado.