O eurodeputado socialista Francisco Assis afirmou que a situação que se vive no Brasil é “altamente preocupante” e apelou às autoridades brasileiras para uma investigação rigorosa para apurar os responsáveis pela morte dos políticos.

“É uma situação altamente preocupante. Não foi só na semana passada e hoje, há cerca de ano e meio que temos assistido a um aumento vertiginoso da violência no Brasil, em particular direcionada para responsáveis políticos, na maior parte dos casos pessoas ligadas à defesa dos direitos humanos”, disse à agência Lusa.

Um vereador suplente foi assassinado esta terça-feira em Magé, município da região metropolitana do Rio de Janeiro, Brasil, uma semana depois da morte da vereadora Marielle Franco num tiroteio, anunciaram fontes oficiais. Francisco Assis, que é presidente da Comissão Parlamentar do Parlamento Europeu para o Mercosul, referiu que o caso de Marielle Franco foi “excecionalmente dramático e mediatizado”, mas que têm existindo muitos mais casos.

Brasil. Vereador assassinado a tiro uma semana depois da morte de Marielle Franco

“Foi uma figura pública do Rio de Janeiro, uma vereadora, ativista social e uma grande defensora dos Direitos Humanos. Esse caso mediatizou-se muito, mas a verdade é que têm existindo muitos outros casos de natureza idêntica, que têm ocorrido em múltiplas cidades do Brasil, com igual gravidade”, salientou.

O eurodeputado disse que existe um “problema gravíssimo” de violência em geral no Brasil, e um problema especial no Rio de Janeiro nos últimos meses.

“Em alguns casos ligado ao narcotráfico e noutros casos direcionados para abater personalidades que se têm empenhado na defesa dos direitos humanos. Suscita a nossa preocupação e desagrado, e a comunidade internacional tem obrigação de apelar às autoridades brasileiras para impedir que situações destas se repitam e para se fazer uma investigação rigorosa para se castigar os responsáveis por estes atentados”, frisou.

Francisco Assis referiu que, no parlamento europeu, vários deputados que desempenham funções com ligação ao Brasil têm vindo a tomar posições no sentido de alertar e apelas às autoridades brasileiras que tomem “as posições que se impõem”.

“É necessário que sejam garantidos princípios mínimos de um Estado de direito no Brasil. Causa-nos uma profunda preocupação e, dadas das relações que temos com o Brasil, um particular desgosto”, concluiu.

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