Fernando Curto, Presidente da Associação dos Bombeiros, classifica o relatório da Comissão Técnica Independente “exagerado”, mas com conclusões semelhantes às que foram tiradas com o relatório sobre os incêndios de Pedrógão Grande e da Zona centro do país, mas que as preocupações se devem manter para este ano.

Confrontado com o relatório de análise dos incêndios de outubro de 2017, entregue no Parlamento esta terça-feira, o presidente da Associação dos Bombeiros considerou, na SIC Notícias, que agora é preciso dirigir a atenção para outros pontos:

A Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) caiu no erro de não atender aos avisos do IPMA uma vez mais, que diziam que se avizinhava um mês seco e propício a incêndios”, sublinhou Fernando Curto, que aponta, no entanto, alguns destes “exageros” do relatório.

“É dito no relatório que em 32 municípios onde houve incêndios a população não foi avisada, e isso não é verdade, porque temos uma estrutura organizada em cada município, que pode não funcionar bem, mas pelo menos está organizada”, explicou Fernando Curto. “Aquilo que aconteceu foi uma falha e uma descoordenação que permitiu que morressem mais pessoas”.

Governo é culpado?

Algumas das falhas no combate aos incêndios apontadas no relatório dizem respeito à dificuldade por parte dos municípios em responder a este tipo de emergência, a falta de apoio das forças armadas e ainda a falhas de comunicação do INEM.

Reforço de meios para fogos não obteve “plena autorização superior” (e mais cinco falhas nos incêndios de outubro)

Para Joaquim Sande Silva, coordenador da Área de Investigação e Educação Agro-ambiental e Disseminação de Conhecimentos no Centro de Ecologia Aplicada, um dos maiores problemas no combate aos incêndios é a falta de meios.

“Não havia condições para estarem disponíveis todos os meios possíveis, nem todos os bombeiros possíveis, porque temos uma estrutura maioritariamente voluntária”, refere investigador. Além disso, a falta de autorização para levar a cabo muitas das medidas que era necessário ter posto em prática no ano passado, leva a que também o Governo acabe por sair responsabilizado, diz Joaquim Sande Silva.

Agora as prioridades devem ser “o aumento da capacidade técnica dos intervenientes no sistema”, porque ao longo dos anos se tem lidado de forma “deficiente com os incêndios”.

“Já no relatório do incêndio de Pedrógão Grande era dito que o caminho passa pela capacitação técnica do dispositivo operacional”, porque “há muitas situações em que os incêndios escapam ao controlo por falta de conhecimento e de estratégia”

Por fim, Joaquim Sande Silva conclui que é preciso que aqueles que estão à  frente dos cargos que se destinam a defender a floresta “prestem provas”, porque “não basta ter o título, nem o curso x ou y”.