Na segunda-feira, dia 19 de março, ocorreu nos Estados Unidos o primeiro atropelamento mortal a envolver um carro autónomo. O veículo da Uber, onde circulava uma condutora de segurança, atropelou mortalmente Elaine Herzberg, de 49 anos. À altura do acidente, o carro estava a circular de forma autónoma e a ocorrência suscitou imediatamente a consternação da sociedade norte-americana.

O perfil da vítima foi rapidamente traçado: Elaine circulava de bicicleta e ainda foi transportada para o hospital, mas acabou por não sobreviver aos ferimentos. Tinha sido sem-abrigo, em Phoenix, durante vários anos, mas tinha conseguido recuperar a estabilidade há poucos meses e colaborava regularmente com associações de solidariedade. Mas da condutora de segurança — obrigatória nos carros autónomos da Uber — pouco se sabia.

O El Español foi atrás da história de Rafaela Vásquez, que, segundo a polícia do Arizona, nada pôde fazer para evitar o acidente. Ou seja, não vai ser acusada de homicídio involuntário nem de qualquer outro crime. Mas a presença de Rafaela dentro do veículo autónomo está a causar problemas à Uber. A verdade é que, em 2000, foi condenada a 5 anos de prisão por tentativa de assalto à mão armada, depois de em 1999 já ter sido alvo de uma sentença de um ano por ter mentido às autoridades. Na altura, era Rafaela: já depois de sair da prisão submeteu-se a uma cirurgia de mudança de sexo e passou a chamar-se Rafaela.

O caso está a ser motivo de conversa nos Estados Unidos porque, em novembro de 2017, a Uber foi multada em 8,9 milhões de dólares por contar com 60 condutores com condenações por crimes graves no Estado do Colorado. Naquela região norte-americana, os cidadãos com antecedentes criminais não podem desempenhar serviços de transporte de passageiros.

A empresa já emitiu um comunicado onde garante que a contratação de Rafaela Vásquez, de 44 anos, cumpre todos os requisitos legais do Estado do Arizona.