Depois da morte de Lakdim, o jovem de 26 anos que esta manhã sequestrou várias pessoas num supermercado em Trèbes e que acabou abatido pela polícia, não demorou muito até que as forças de segurança entrassem em força no bairro onde o marroquino vivia.

Segundo escreve o Le Figaro, Carcassonne foi tomada de assalto por um dispositivo policial impressionante, não só em número mas também pelo aparato do equipamento utilizado. Para além dos agentes fortemente armados, as ruas encheram-se de camiões não identificados e veículos blindados. O jornal francês, que conta que os habitantes estavam perplexos com o que acontecia, cita uma mulher que ao telefone diz apenas: “Estamos em estado de sítio.”

Carcassonne é uma cidade perto da fronteira francesa com Espanha e é, desde 1987, património da Humanidade. Envolta na grande muralha do seu castelo medieval, recebe todos os anos cerca de 4 milhões de turistas. O seu castelo é um dos locais mais visitado de França.

Ladkim morava num dos três pequenos edifícios no centro da cidade no bairro de Ozanam, uma área considerada sensível e que conta com algumas centenas de moradores.

“Nós alertámos as autoridades, aqui há armas a circular, até ouvimos tiros”, conta um reformado, citado pelo Le Figaro. “Há aqui uma minoria que apodrece o bairro e eles tomaram conta disto.”

Um outro homem, que o jornal francês também não identifica, diz que chegou ali aos 14 anos, mas agora com quase 40, sairá assim que puder. “É um bairro onde há trafego de droga, mas também não é o 93”, diz em referência ao bairro parisiense Seine Saint-Denis que tem elevada criminalidade.

Entre os moradores com quem o jornal falou, encontraram um vizinho de Lakdim. “Ele não tinha emprego, usava barba, era uma criança sem história, de uma família simples. Costumava ir à rua duas vezes por dia para passear o cão. Ficámos todos muito surpreendidos ao saber que era ele o atirador.”