A mostra de cinema curdo em Lisboa, abre esta sexta-feira, no cinema São Jorge, prossegue até domingo, inclui a exibição de “Radio Kobani”, sobre a ocupação da cidade síria, e vai debater a criação artística, na região em guerra.

Organizada pela Jiyan — Associação Cultural Portuguesa e Curda, no âmbito do Festival de Cinema e Artes Curdas, a iniciativa tem por objetivo levar “o público numa viagem pelo Curdistão, através da música, cultura, arte, língua, história, lutas e valores”, segundo o programador, Ilyas Kilian, citado pelo comunicado divulgado neste dia.

A sessão de abertura tem lugar às 21h00, conta com a exibição de “Da”, curta-metragem de Aram Dildar, e “Zer”, ‘longa’ de Kazim Öz — realizador presente na sessão –, dois filmes que partem de relações familiares, para uma visão alargada da sociedade.

Há “40 milhões de curdos espalhados pelo mundo, que ainda lutam pelos direitos humanos mais básicos”, recorda Kilian, declarando que é por isso “natural que a arte e os filmes abordem questões mais sociais”.

No sábado, a jornada no cinema São Jorge abre com um debate sobre a produção artística do povo curdo, dirigida pela antropóloga Kelen Pessuto, da Universidade de São Paulo, Brasil, especialista em cinema curdo-iraniano.

“A inexistência de verdadeiras instituições faz com que os problemas económicos sejam constantes”, a par de “sanções, restrições, atos de censura por parte dos governos”, afirma o programador Ilyas Kilian, na apresentação da mostra, acrescentando que “fazer arte e cinema em zonas de guerra é outra barreira de monta”.

“Mehmet Aksoy, um amigo meu e um dos fundadores do London Kurdish Film Festival, foi assassinado pelo Estado islâmico em Kobani, durante a realização de um documentário”, prossegue Kilian, recordando o realizador britânico de origem curda, nascido na Turquia, que morreu em setembro passado, quando fazia a cobertura da batalha de Raqqa, na Síria.

A programação de sábado também inclui “House without roof” (“Casa sem telhado”), longa-metragem de ficção de Soleen Yusef, e conta com a presença da presidente de câmara Leyla Imret, a mais jovem autarca na Turquia, num encontro com o público, que acontecerá após a exibição de “Dil Leyla”, documentário sobre o seu percurso, dirigido por Asli Özarslan.

O festival encerra no domingo com “Song of My Mother”, do escritor e realizador turco Erol Mintas, sobre uma família sujeita a dupla situação de migração, forçada a abandonar o bairro de Tarlabasi, em Istambul, onde se refugiou, com o avanço da especulação imobiliária e a ocupação de território por projetos de valor mais elevado, associados a outros fenómenos de gentrificação.

A sessão tem início às 21h00, depois da apresentação de “Radio Kobani”, o premiado documentário de Reber Dosky, sobre os últimos dias do domínio do Estado Islâmico na cidade síria, reportados por uma jovem mulher.

A mostra de cinema, no São Jorge, é acompanhada por uma exposição de fotografia de Sinem Tas e de pintura de Carlos Farinha. O Centro Português de Serigrafia, a Galeria Foco e Leituria Galeria & Livraria associaram-se ao Festival de Cinema e Artes Curdas, com exposições patentes até segunda-feira, dia 26.