A greve dos trabalhadores da empresa concessionária da mina de Neves-Corvo, no concelho de Castro Verde, distrito de Beja, prevista para a próxima semana, foi desconvocada esta sexta-feira, disse à agência Lusa fonte sindical.

“A Somincor já superou os objetivos de extração e produção para o primeiro trimestre deste ano e, por isso, não faz sentido uma greve de trabalhadores nesta altura, porque não iria ter o impacto pretendido” na atividade da empresa, explicou o dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira (STIM) Luís Cavaco.

Como tal, o STIM, depois de auscultar os trabalhadores da Somincor, decidiu desconvocar esta sexta-feira a greve, que estava prevista para dois períodos intercalados, o primeiro entre as 05h00 de segunda-feira e as 06h00 de terça-feira e o segundo entre as 05h00 de quarta-feira e as 06h00 de dia 30 deste mês.

Por outro lado, disse, “a administração da Somincor tem vindo a exercer pressão e repressão junto dos trabalhadores que têm aderido a greves e o medo de represálias limita a adesão e, por consequência, o impacto de uma nova greve”.

Luís Cavaco lembrou que a administração da Somincor “afastou dos cargos quatro encarregados gerais das lavarias da mina” por terem feito greve.

Contactada pela Lusa, a administração da Somincor refere que, “desde a primeira hora, considerou não existirem motivos razoáveis para a convocação” da greve.

A empresa reitera que “permanece atenta às necessidades dos seus trabalhadores e procurará sempre, através do diálogo positivo que deseja manter, chegar a um acordo entre as partes com vista à normalização das relações de trabalho”.

Em reação à acusação do STIM relativa ao alegado afastamento de quatro encarregados gerais das lavarias da mina por terem feito greve, a Somincor já tinha afirmado que “cumpre rigorosamente todos os requisitos da legislação laboral, tendo conhecimento e não questionando qualquer direito dos seus trabalhadores”.

A greve prevista para a semana, que seria a primeira deste ano e a quarta desde outubro de 2017, tinha sido decidida “por unanimidade” pelos trabalhadores da Somincor, num plenário realizado no dia 11 deste mês.

Segundo tinha dito à Lusa o dirigente do STIM Jacinto Anacleto, o plenário realizou-se depois de terem resultado “em nada” várias reuniões entre o sindicato, a administração da Somincor e membros do Governo que decorreram na últimas semanas para tentar resolver o conflito laboral.

O STIM e os trabalhadores esperavam que das reuniões saíssem propostas e soluções que fossem ao encontro das suas reivindicações e pudessem por fim ao conflito laboral e, por isso, tinham suspendido a greve que haviam marcado para os dias 5, 7 e 9 deste mês.

O fim do regime de laboração contínua no fundo da mina, “humanização” dos horários de trabalho, antecipação da idade da reforma para os funcionários das lavarias, progressão nas carreiras, revogação das alterações unilaterais na política de prémios e “fim da pressão e da repressão” são as principais reivindicações dos trabalhadores.

Devido ao atual conflito laboral, os trabalhadores da Somincor já fizeram três greves, entre outubro e dezembro de 2017, que provocaram paragens na extração e na produção de minério na mina de Neves-Corvo, e este ano decidiram fazer duas, uma entre os dias 5, 7 e 9 deste mês, que foi suspensa, e a prevista para a semana, que foi desconvocada.