A ONU disse esta segunda-feira ter sido notificada pelos Estados Unidos sobre a expulsão de um grupo de diplomatas russos, que preferiu não contabilizar, acreditados na missão da Rússia junto daquela organização, mas escusou-se a comentar a decisão. Um porta-voz da ONU confirmou que a organização internacional recebeu a notificação de Washington mas que, “dada a sensibilidade” da matéria, só podia confirmar que o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, estava “a seguir atentamente” o assunto.

Os Estados Unidos anunciaram hoje ter ordenado a expulsão de 60 funcionários diplomáticos russos em resposta ao envenenamento com gás neurotóxico do ex-espião duplo Serguei Skripal e da sua filha, Yulia, no Reino Unido. Um responsável da administração norte-americana precisou que 48 desses diplomatas são “agentes de informações conhecidos” a trabalhar na embaixada em Washington e os outros 12 estão na representação da Rússia na ONU, em Nova Iorque. A par dos Estados Unidos, 15 Estados-membros da União Europeia (UE), e ainda o Canadá, a Ucrânia, a Albânia, a Noruega e a Macedónia anunciaram hoje a expulsão de diplomatas russos dos respetivos territórios.

Na conferência de imprensa diária, o porta-voz de Guterres, Farhan Haq, evitou comentar a decisão de Washington, nem sequer quis precisar o número de funcionários visados pela medida, a respetiva identidade e os procedimentos que se seguem. Farhan Haq afirmou que as “ações” adotadas pelos Estados Unidos estão sustentadas na secção 13B do acordo firmado em 1947 entre Washington e a ONU, texto que regulamentou o funcionamento da sede da organização na cidade norte-americana de Nova Iorque.

A secção mencionada por Farhan Haq, que o próprio leu parcialmente na conferência de imprensa, estabelece que os diplomatas designados para as missões junto da ONU não podem abusar dos respetivos privilégios para poder residir no país com “atividades não relacionadas com o respetivo caráter oficial”. Esses privilégios, definidos no artigo 11.º do mesmo acordo, estabelecem, entre outros aspetos, que as autoridades norte-americanas não podem dificultar a entrada e saída da zona onde fica localizada a sede da ONU aos membros das respetivas missões, aos peritos com funções atribuídas pela organização internacional, convidados e representantes de organizações não-governamentais reconhecidas.

Citado pela agência noticiosa espanhola EFE, o embaixador russo junto da ONU, Vassily Nebenzia, qualificou hoje a medida de expulsão como “”infeliz e hostil”. Em declarações aos jornalistas, o representante de Moscovo referiu que os diplomatas terão de deixar os Estados Unidos antes do dia 2 de abril. Esta ação concertada por vários países ocidentais vai envolver a expulsão de mais de 100 funcionários russos e surge como resposta ao envenenamento do ex-espião russo Serguei Skripal e da sua filha, Yulia, com um gás neurotóxico a 4 de março em Salisbury, no sul de Inglaterra.

O caso Skripal provocou uma grave crise diplomática entre a Rússia, o Reino Unido e os países ocidentais. A 14 de março, Londres anunciou a expulsão de 23 diplomatas russos do território britânico e o congelamento das relações bilaterais, ao que Moscovo respondeu expulsando 23 diplomatas britânicos e suspendendo a atividade do British Council na Rússia.