A resposta dos serviços de emergência ao atentado na Arena de Manchester em maio de 2017, onde morreram 22 pessoas, foi atrasada devido à “má comunicação” entre as várias entidades. Essa é a principal conclusão do relatório de 226 páginas, apresentado esta terça-feira, que é o resultado da investigação conduzida pelo Lorde Kerslake, a pedido do presidente da Câmara de Manchester, Andy Burnham.

De acordo com o relatório, um inspetor da Polícia de Manchester encarregado da resposta ao ataque ao concerto de Ariana Grande decretou a Operação Plato, um plano que prevê resposta adequada quando há suspeitas de atentado terrorista — o que significa que os paramédicos e as forças de segurança podem aproximar-se das vítimas, apesar de ainda haver risco para eles próprios.

No entanto, explica a BBC, um responsável dos Serviços de Incêndio e Resgate de Grande Manchester (GMFRS, na sigla original) decidiu “cumprir as regras” e impedir os bombeiros de se aproximarem por estarem em risco, enviando-os para um local afastado e autorizando-os a aproximarem-se apenas duas horas depois da primeira explosão. “Como o responsável dos bombeiros não falou ao telefone com o inspetor da polícia, a resposta dos bombeiros foi ‘levada a um ponto de paralisação’, o que provocou ‘imensa frustração aos bombeiros'”, escreve a televisão britânica, citando o relatório.

Na apresentação do relatório, Lorde Kerslake explicou que a ação dos bombeiros no local teria sido útil e que eles “queriam envolver-se, mas foram impedidos”. “A disciplina do serviço fez com que não pudessem decidir por si próprios ir para o local”, disse o Lorde britânico, segundo a BBC.

Mas os serviços de emergência não foram os únicos a ser criticados pelo relatório de Lorde Kerslake. Também a empresa de telecomunicações Vodafone é acusada de ter protagonizado “um falhanço catastrófico“, escreve o Guardian, já que o seu sistema telefónico de emergência, que deveria estar pronto a ser usado em caso de atentado para ajudar a coordenar informação sobre as vítimas, falhou. Isso significa, escreve Kerslake, que os familiares foram “reduzidos a uma procura frenética por todos os hospitais da área de Grande Manchester”.

O autor do relatório sublinha ainda que os responsáveis dos GMFRS reconhecem que “desiludiram as pessoas de Grande Manchester nessa noite”.

Relatório conclui que atentado de Manchester podia ter sido evitado