Um grupo de lesados do antigo Banco Espírito Santo (BES) voltou esta terça-feira a protestar no Porto para exigir o pagamento integral dos seus depósitos através da provisão criada para reembolsar ex-clientes e anunciou uma nova manifestação.

Jorge Novo, um dos organizadores do protesto, anunciou para a próxima semana uma manifestação em Mangualde e fez um apelo a todos os lesados, para que procurem “a dita provisão” que, alegadamente, “desapareceu do Novo Banco”. “Vamos achar a provisão, onde é que ela está metida?”, questionou o lesado.

Segundo disse à Lusa, “em princípio, no dia 5 de abril”, o grupo irá manifestar-se “em frente à casa do presidente da associação dos lesados do papel comercial” por considerar que “não está a defender os direitos de todos”.

Na manifestação realizada neste dia junto às instalações do Novo Banco, na Avenida dos Aliados, os lesados protestaram “contra o Governo, que no fundo foi quem ficou com a provisão que garantiam que existia para […] pagar a totalidade do investimento e contra as associações que foram criadas para defender todos os lesados e lutar pela totalidade do capital e não foi isso que aconteceu”.

“A AIEPC [Associação de Indignados e Enganados do Papel Comercial] não podia violar determinadas regras e passou por cima disso tudo. Devia haver uma investigação, porque não se compreende que uma associação formada para defender todos os lesados coloque um advogado para fazer contratos individuais a cada lesado”, lamentou António Silva, outro porta-voz do grupo que garante não desistir dos seus direitos.

António Silva criticou as “associações criadas para lutar pela totalidade do capital” dos lesados, algo que “não aconteceu”. “Estou a falar das associações do papel comercial e mesmo da associação dos emigrantes, porque os colegas emigrantes foram forçados a aceitar um acordo que só vai até 75%, quando o que era transmitido aos lesados era a totalidade”, afirmou.

O lesado lembra que as aplicações propostas foram apresentadas como tendo “capital e juros garantidos” e que, ao longo dos anos, “os gerentes do banco garantiam que tudo estava bem, que era seguro, que não havia risco”.

“Depois, garantiam que havia uma provisão para nos pagar. Há documentos de que a provisão passou para o Novo Banco. E depois do Novo Banco, para o Banco de Portugal e, no fundo, para o Governo, que ficou com nosso dinheiro”, destacou António Silva.

António Silva lembrou ainda que “as provisões quando são criadas têm normas e uma das normas é que não podem ser utilizadas para outros fins, por isso, até nisso, é uma burla”.

Cerca de dois mil clientes que compraram 400 milhões de euros em papel comercial, aos balcões do BES, viram o seu investimento perdido aquando da queda do banco e do Grupo Espírito Santo no verão de 2014, apesar de haver uma provisão destinada a pagar-lhes.

A solução encontrada (entre a associação de lesados, Governo, Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, Banco de Portugal, BES ‘mau’ e Novo Banco), no final de 2016, para estes lesados propõe que recuperem 75% do valor investido, num máximo de 250 mil euros, isto se tiverem aplicações até 500 mil euros. Já acima desse montante, irão recuperar 50% do valor.

Quanto ao pagamento, será feito pelo fundo de recuperação de crédito, devendo esse pagar 30% da indemnização aos lesados (cerca de 140 milhões de euros) logo após a assinatura do contrato de adesão à solução. O restante valor será pago em mais duas parcelas, de futuro.