Treze pessoas morreram e 62 ficaram feridas na sequência de mais de 200 acidentes ou incidentes marítimos registados no ano passado, segundo um relatório do Gabinete de Investigação de Acidentes Marítimos e da Autoridade para a Meteorologia Aeronáutica.

O relatório estatístico do GAMA disponibilizado à Lusa indica que das 13 vítimas mortais registadas, cinco ocorreram na atividade de comércio, cinco na de pesca e três na de recreio. De acordo com o documento, das 240 notificações que o GAMA recebeu durante o ano de 2017, 164 foram classificadas como acidentes ou incidentes com navios ou embarcações e as restantes 76 como acidentes do tipo ocupacional, das quais 14 foram classificadas como não-acidentes.

Segundo o GAMA, 104 dos acidentes ou incidentes registados ocorreram em embarcações ou navios de comércio, 67 nos de pesca, 50 nos de recreio e cinco em barcos auxiliares. No que diz respeito ao tipo de gravidade das ocorrências, o GAMA registou 30 notificações muito graves, 76 graves, 108 pouco graves e 26 como incidente ou não acidente. Das 30 notificações muito graves, 19 referem-se à atividade da pesca, quatro ao comércio e sete relacionadas com o recreio.

Quanto às principais causas dos acidentes ou incidentes, a maioria (62) são ocupacionais (acidentes de trabalho), seguidos de perda de controlo (56), encalhe (21), contacto (20), colisão (19), alagamento (15), avaria (12) soçobramento (10) e afundamento (4).

No ano passado, perderam-se 29 embarcações, das quais 10 foram devido a alagamento, uma por colisão (entre uma embarcação auxiliar e um navio de comércio), dois casos de embarcações de pesca que embateram num objeto fixo, cinco casos de soçobramento (três embarcações de pesca e duas de recreio), quatro por afundamento (pesca) e três encalhes (dois de pesca e um de recreio).

Cinco dos acidentes registados no ano passado resultaram em poluição. Em quatro casos ocorreu um derrame para o mar e noutro o derrame de matéria poluente para o convés do navio, o que obrigou à paragem de operações de carga/descarga.

De acordo com o relatório do GAMA, foram iniciadas no ano passado 13 investigações, das quais 62% dizem respeito a acidentes muito graves e 38,9% a acidentes graves. O Gabinete indica também que foram feitos cinco relatórios de investigação e oito provisórios, tendo sido feitas 11 recomendações de segurança.

“Os dados estatísticos referem-se a acidentes e incidentes marítimos ocorridos na totalidade do território nacional, e, fora desta área, os que ocorrem em navios e embarcações portuguesas ou em que intervieram entidades nacionais”, segundo o GAMA.

O Gabinete classifica os “não acidentes” como ocorrências que, após análise, não estão diretamente ligadas à operação do navio ou embarcação, como por exemplo situações das quais resultam vítimas mortais por doença, suicídio ou homicídio, ou ainda os casos de evacuação médica por doença, entre outros.

Os acidentes ou incidentes marítimos são, segundo o GAMA, ocorrências relacionadas diretamente com a operação do navio, das quais resultam consequências para o navio, para o ambiente, ou para pessoas. Nos incidentes não resultam consequências porque no decorrer da ocorrência estas podem ser evitadas.

O GAMA é um serviço que funciona no âmbito do Ministério do Mar e que tem por missão investigar os acidentes e incidentes marítimos, visando identificar as respetivas causas, elaborar e divulgar relatórios e emitir recomendações em matéria de segurança marítima.