Subiu para 12 o número de vítimas mortais, segundo um novo balanço dos confrontos entre o exército israelita e manifestantes ocorridos na fronteira de Gaza com Israel. Os mortos são todos palestinianos. As autoridades atualizaram também o número de feridos para mil.

O anterior balanço, avançado pelo Ministério de Saúde palestiniano tal como o mais recevente, dava conta de sete mortos e 500 feridos.

Milhares de pessoas, cerca de 17 mil, segundo as agências internacionais, concentraram-se hoje junto de vários pontos da fronteira de Gaza com Israel, num protesto intitulado “A Grande Marcha do Regresso”, convocado pelo movimento radical palestiniano Hamas, por ocasião da comemoração do Dia da Terra da Palestina. Esta data é comemorada a 30 de março em homenagem aos acontecimentos ocorridos, neste mesmo dia, em 1976, quando confrontos entre palestinianos e israelitas terminaram com vários mortos e feridos.

O Hamas controla a faixa de Gaza, enclave palestiniano sob bloqueio israelita e egípcio, desde 2007.

O protesto degenerou em incidentes e o exército israelita tentou dispersar os manifestantes com gás lacrimogéneo e outros meios de dissuasão. As forças israelitas, que também destacaram blindados para a zona fronteiriça, utilizaram munições reais contra os manifestantes que tentavam ultrapassar as barreiras de segurança.

O exército israelita afirmou que utilizou balas reais depois de os manifestantes palestinianos, situados junto à zona fronteiriça, terem lançado pedras e bombas incendiárias em direção aos soldados israelitas. Em reação aos acontecimentos, a Turquia já denunciou o “uso desproporcional” da força por parte de Israel.

“Condenamos veementemente o uso desproporcional da força por parte de Israel contra os manifestantes palestinianos”, declarou, num comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) turco, apelando a Telavive para “pôr fim o mais rápido possível ao uso da força que faz aumentar as tensões na região”.

“Convidamos a comunidade internacional a assumir as suas responsabilidades de forma a levar Israel a desistir desta atitude agressiva”, acrescentou o MNE turco.

O Hamas apelou à população de Gaza que mantenha o protesto, nomeadamente com a montagem de um acampamento improvisado junto da fronteira, até 14 de maio, o dia da Nakba (que significa catástrofe), data que os palestinianos associam à criação do Estado de Israel em 1948.