Há 19 anos que as vendas de automóveis novos na Alemanha não cresciam tanto: nos dois primeiros meses do ano venderam-se 531.200 unidades, o que segundo a germânica VDA reflecte um incremento de 9,5 % face a 2017 – o maior em quase duas décadas.

Porém, por detrás destes números, esconde-se uma outra realidade. Os consumidores estão cada vez mais temerosos face ao cerco ao diesel, sendo que a mais recente decisão da justiça alemã em nada contribuiu para amenizar esse estado de espírito. Pelo contrário. Ao abrir caminho para que qualquer cidade alemã pudesse, a qualquer momento, impor restrições (ou até mesmo impedir) à circulação de veículos propulsionados por motores de combustão interna, os consumidores estão cada vez mais receosos do valor residual que o seu carro possa vir a ter, na eventualidade de uma decisão política mais restritiva.

Conforme aqui lhe dissemos, a BMW foi a primeira a reagir, anunciando que os seus clientes tinham a garantia de que não ficavam “agarrados” a um diesel impedido de circular, mediante determinadas condições. Agora é a vez de o Grupo Volkswagen procurar também restaurar a confiança dos seus clientes nas motorizações a gasóleo. Ou, vendo de outra perspectiva, antecipar-se a uma queda a pique das vendas de modelos diesel. Como? Assegurando que, a partir de amanhã, quem comprar um Volkswagen com um motor diesel Euro 6, na Alemanha, pode ter a certeza que esse veículo será retomado se vier a ser afectado por medidas antipoluição. O compromisso é que o concessionário envolvido na compra aceita o automóvel de volta e aplica um “desconto significativo” se o cliente sair do stand com um novo modelo da marca.

Convém recordar que este clima de “perseguição” às motorizações a gasóleo nem sempre abona a favor do ambiente, uma vez que a tecnologia diesel moderna ainda é a que mais contribui para a redução das emissões de CO2. Isto, face aos gasolina e até que os eléctricos e híbridos comecem a chegar ao mercado com valores mais acessíveis do que os actualmente praticados.

Por outro lado, com a entrada em vigor do mais realista ciclo de homologação de consumos e emissões WLTP, obrigar um diesel a cumprir as cada vez mais exigentes normas ambientais será um exercício que, provavelmente, os construtores farão repercutir no bolso dos consumidores.