Até há sensivelmente duas semanas o nome Richard Meier era uma marca. Tudo mudou quando o reconhecido arquiteto de 83 anos foi acusado de assédio sexual por cinco mulheres, na sequência de uma notícia avançada pelo The New York Times. O arquiteto já vencedor de um Pritzker, em 1984, reagiu de imediato e afirmou publicamente que se ia retirar enquanto fundador da sua firma por um período de seis meses, reconhecendo ainda que estava “profundamente perturbado e embaraçado” pelas acusações. Mas os danos colaterais da notícia publicada a 13 de março ainda se fazem sentir.

Exemplo disso é a história contada pela Quartz, que refere que o nome do arquiteto — responsável por obras tão emblemáticas como o Getty Center, em Los Angeles — foi completamente apagado de um dos seus edifícios.

A página online dedicada ao edifício de luxo 685 First Avenue, em Nova Iorque, não faz qualquer referência ao nome do seu arquiteto — só é possível encontrá-lo “enterrado” nos textos destinados à imprensa. Mais, o nome Richard Meier foi eliminado da porta do escritório de vendas do condomínio de luxo, o edifício mais alto de Meier na cidade que nunca dorme, com mais de 140 metros de altura. O blogue Tudor City Confidential tem fotografias do antes e depois.

A isso acrescenta-se que o Instituto Americano de Arquitetos (AIA) em Nova Iorque rescindiu um prémio atribuído a Meier e o Instituto Real de Arquitetos Britânicos emitiu um comunicado a condenar o comportamento do arquiteto. A firma Richard Meier & Partners, fundada por Meier em 1963, é considerada uma das mais conceituadas do mundo.

Uma das mulheres que acusa o arquiteto de assédio sexual contou ao The New York Times como, com apenas 24 anos, Meier convidou-a para o seu apartamento, ofereceu-lhe vinho e mostrou-lhe fotografias de mulheres nuas e pediu-lhe que se despisse para ser fotografada. A ela juntam-se relatos de outras quatro mulheres.