O jornal francês Le Monde avança que o presidente do Grupo PSA, Carlos Tavares, vai receber um prémio de 1 milhão de euros, fruto da “elaboração e implementação do plano de recuperação da Opel/Vauxhall”. A informação é apoiada num documento oficial a que a agência noticiosa AFP terá tido acesso.

Significa isto que o gestor português vê a sua remuneração saltar 2 milhões de um ano para outro, pois enquanto recebeu 4,7 milhões em 2016, no ano passado auferiu 6,7 milhões. Além de contemplar o bónus de 1 milhão, o montante em causa inclui uma parte fixa de 1,3 milhões de euros, uma parcela variável de 2,4 milhões de euros e 130.000 acções, as quais são avaliadas em 2 milhões de euros.

Conforme já lhe demos conta, os prémios no universo corporativo não são invulgares, estando associados ao desempenho. No caso da indústria automóvel, os exemplos mais recentes chegaram-nos pela mão da Volkswagen, com o CEO do conglomerado germânico, Matthias Müller, a levar para casa um total de 10,14 milhões, entre salário e prémios por objectivos atingidos. Na Mercedes e na BMW os números não foram tão expressivos, respectivamente com Dieter Zetsche a receber pouco mais de 8 milhões, e Harald Krüger 7,3 milhões de euros.

Se na tabela de pagamentos Carlos Tavares continua abaixo dos casos citados, a verdade é que, aos olhos da administração do grupo francês, o português – que já salvou a PSA da falência – é colocado nos píncaros. “O Conselho de Supervisão congratulou-se recentemente pelo desempenho excepcional e sustentável do Grupo sob a liderança de Carlos Tavares, que coloca a empresa entre as cinco maiores do sector automóvel global em termos de lucratividade”, referiu um porta-voz.

Se Tavares já fez o “milagre” uma vez, espera-se que o volte a fazer de novo com a Opel/Vauxhall. Marcas que, enquanto estiveram nas mãos da americana General Motors, acumularam anos a fio de prejuízos. Ainda estão no vermelho, mas a coisa está ‘menos preta’ desde que Tavares assumiu as rédeas do construtor alemão/inglês. O estímulo para continuar nesse caminho tem seis zeros e será, com certeza, “cobrado” ao homem-forte da PSA. Tanto mais que o porta-voz citado pelo Le Monde assume que o bónus de 1 milhão “está ligado aos desafios da aquisição da Opel/Vauxhall” e à “necessidade de corrigir a situação da Opel o mais rapidamente possível”.