A Rússia anunciou esta segunda-feira que “nunca aceitará” os resultados da investigação da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) em relação ao “caso Skripal” sem a participação de especialistas russos. “Não aceitaremos nenhum resultado da investigação se especialistas russos não participarem”, disse Alexander Shulguín, representante russo na OPAQ, sobre as análises do agente químico russo usado no Reino Unido para envenenar o ex-espião Sergey Skripal e sua filha.

Alexander Shulguín defendeu que os especialistas da OPAQ deviam limitar-se a examinar a “composição química da substância, mas sem indicar o país de origem e os responsáveis”, considerando que essa não é a sua função. A este respeito, assegurou que a organização já procedeu à análise das duas amostras enviadas por Londres e os resultados desta investigação serão conhecidos no final desta semana ou no início da próxima. O responsável referiu que os especialistas russos não participaram na investigação e que, quando Moscovo solicitou à OPAQ acesso aos exames realizados no Reino Unido, a organização respondeu que necessita da aprovação de Londres.

“Tendo em conta a sua postura (do Reino Unido) em rejeitar qualquer tipo de cooperação connosco, não podemos esperar uma resposta positiva”, explicou Shulguín. No entanto, insistiu que a Rússia defende uma “investigação multilateral, aberta e imparcial” na qual os seus especialistas participem. Quanto à sessão extraordinária que a OPAQ realizará em 4 de abril, a pedido da Rússia, o responsável disse que é “uma nova tentativa de tirar a situação do beco sem saída para o qual os britânicos a estão a levar”.

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergey Lavrov, acusou o Reino Unido, os Estados Unidos e outros países de “mentir abertamente” sobre o “caso Skripal”. “A Rússia não tem nada a ver com o envenenamento dos Skripal e estamos muito interessados, penso mais do que em qualquer outro, em estabelecer a verdade e em conhecer o destino dos nossos cidadãos”, disse. O ex-espião duplo de origem russa Serguei Skripal, de 66 anos, e a sua filha Yulia, de 33 anos, foram encontrados inconscientes a 4 de março em Salisbury, no sul de Inglaterra, após terem sido envenenados com um componente químico que ataca o sistema nervoso. O Reino Unido atribuiu o envenenamento à Rússia, que tem desmentido todas as acusações e exigido provas concretas sobre esta alegação.