O Presidente da República referiu esta segunda-feira já ter lido o relatório do Governo sobre Tancos, mas preferiu falar da investigação judicial a este caso, reafirmando que espera que clarifique os factos e eventuais responsáveis. No final de uma iniciativa no Centro Comercial Colombo, em Lisboa, questionado pelos jornalistas se já leu o relatório do Governo sobre o furto de material militar dos paióis nacionais de Tancos, o chefe de Estado e Comandante Supremo das Forças Armadas retorquiu: “Já li há duas semanas e meia, há três semanas. Já foi entregue há tanto tempo”.

Interrogado se encontrou as respostas que esperava, Marcelo Rebelo de Sousa escusou-se a falar sobre o documento, preferindo reafirmar a mensagem que deixou na cerimónia de posse do Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, o almirante António Silva Ribeiro, no dia 01 de março. “Eu mantenho aquilo que disse”, frisou. “Disse que não desistia de ter uma resposta quanto aos factos ocorridos e que esperava muito da investigação judicial especializada, que contaria certamente com a colaboração das Forças Armadas”.

No seu entender, a investigação judicial, “em momento adequado — que, como sabe, não depende do Presidente da República nem deve depender do poder executivo — não deixará de esclarecer aquilo que se passou, e como se passou, para os portugueses ficarem a saber também”. Os jornalistas insistiram para que comentasse o conteúdo do relatório do Governo, mas o chefe de Estado insistiu na sua mensagem de há um mês sobre a investigação judicial: “Eu, quando falei, foi ainda antes da divulgação desse relatório, já era muito claro quando dizia que esperava que coubesse à instituição judicial competente, especializada, o apuramento dos factos e dos eventuais responsáveis”.

“Era o que eu pensava e aquilo que eu penso”, reiterou. O relatório do Governo apresenta um resumo histórico dos paióis nacionais de Tancos desde a origem e as suas “constantes dificuldades e insuficiências”, descreve os sistemas de proteção e vigilância, faz uma cronologia dos acontecimentos, estabelece o enquadramento jurídico e as competências legais, as ações desenvolvidas pelo Ministério e pelos ramos militares, em especial o Exército.

No documento, intitulado “Tancos 2017: Factos e documentos”, o Ministério da Defesa admite como “evidentemente legítima” a pergunta de “quem, quando, porquê e como perpetrou o furto de material de guerra nos Paióis Nacionais de Tancos”. Contudo, recomenda que se deverá aguardar “serenamente, para resposta cabal, pelo termo das investigações (que, à data da divulgação deste dossier, ainda decorrem), orientadas por quem de direito, o Ministério Público”.

O Exército divulgou no dia 29 de junho do ano passado o desaparecimento de material militar dos paióis de Tancos – entretanto desativados – que foi recuperado pela Polícia Judiciária Militar em outubro, a 21 quilómetros do local. No dia 1 de março, na posse do Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, o Presidente da República defendeu uma investigação “mais longe e a fundo” aos casos que envolveram as Forças Armadas nos últimos tempos, como o de Tancos.