As atenções da noite de Liga dos Campeões estavam quase todas centradas em Turim no duelo entre Juventus e Real Madrid e ainda mais ficaram quando Cristiano Ronaldo desafiou o impossível, conseguindo marcar um fabuloso golo de pontapé de bicicleta que mereceu aplausos de pé dos próprios adeptos adversários. Mas também houve jogo em Sevilha, com o Bayern a dar um passo de gigante rumo às meias finais após vencer em Espanha por 2-1. No entanto, o resultado acaba por ser enganador perante o que aconteceu ao longo dos 90 minutos.

Marcar de bicicleta e ter os adeptos adversários a aplaudir de pé vale recorde? Ronaldo também já o tem

Confirmando a promessa de tornar o Sánchez Pizjuán num autêntico inferno, os andaluzes entraram melhor, com mais capacidade de chegar ao último terço dos germânicos e adiantaram-se mesmo no marcador com um golo de Sarabia pouco depois da meia hora (31′), proporcionando uma autêntica explosão num estádio cheio e a perceção de que era possível voltar a surpreender na Europa, depois da eliminação do Manchester United nos oitavos.

No entanto, quando nada o fazia prever, os comandados de Jupp Heynckes conseguiram chegar ao empate já perto do intervalo, num lance com muita sorte à mistura: tentativa de cruzamento de Ribery na esquerda, bola a desviar no agora lateral Jesús Navas, defesa de Soria ainda a bater no poste mas a entrar mesmo na baliza do Sevilha (41′).

No início do segundo tempo, Javi Martínez, internacional espanhol que voltou a jogar no meio-campo, acabou por tornar-se uma espécie de “herói invisível” que mudou o encontro: primeiro, num tackle fabuloso quando Vázquez se preparava para encostar para o golo certo na zona da marca de penálti; depois, num remate após cruzamento da direita que Soria defendeu para canto e que acabou por ser a primeira grande oportunidade do Bayern.

Esses momentos quebraram um pouco os visitados, agora treinados pelo italiano Vincenzo Montella, e os germânicos conseguiram mesmo a reviravolta no marcador a meio da segunda metade (68′) em mais um lance com alguma sorte à mistura: cruzamento da esquerda, cabeceamento de Thiago Alcântara para a zona central da área a desviar no lateral esquerdo Escudero e a enganar Soria, que nada podia fazer para evitar o 2-1 final (o golo acabou por ser atribuído ao espanhol do conjunto bávaro, embora fosse mais autogolo do que outra coisa). Que, também aqui, teve um marco histórico a assinalar: Heynckes, que estava reformado há quatro anos antes de ser resgatado para substituir Carlo Ancelotti a meio da época, somou o seu 12.º triunfo consecutivo na Champions.