A Hyundai tem apenas três executivos do sexo feminino, num total de 298 membros, mas isso não impediu que uma delas tivesse alegadamente obrigado as suas colaboradoras a servir bebidas e a dançar, para animar os homens que dominam a empresa sul-coreana que fabrica de tudo um pouco, dos automóveis aos navios, passando por pontes. A situação foi tornada pública pela agência noticiosa local Yonhap, que informou igualmente que, apesar da identidade da mulher em causa não ter sido revelada, o número de executivas da Hyundai ficou reduzido a apenas duas.

O movimento global #MeToo chegou tarde à Coreia do Sul, mas promete agitar as águas durante muito tempo e atingir altas figuras da sociedade, ou não fosse esta dominada por empresas familiares, criadas em pleno pós-guerra e que se transformaram em gigantescos conglomerados industriais, como aliás é o caso da Hyundai.

De acordo com a Yonhap, uma colaboradora da Hyundai, enquanto acordava com o empregador a sua saída da empresa, deu como motivo o facto de a sua chefe – a tal executiva desejosa de dinamizar a dança em horários pós-laboral – a obrigar a servir bebidas em festas e dançar com executivos seniores, tudo porque estes podiam dar uma mãozinha à fulgurante carreira da chefe.

Ora com o #MeToo a gerar o pânico, que já colocou em tribunal até ex-governadores, a Hyundai decidiu que todo o cuidado é pouco e tratou de assegurar a rescisão da executiva, alegando que o seu comportamento não se coadunava com o espírito e os valores da empresa.

Ficámos sem perceber se o “espírito e os valores” se referem à utilização do pessoal menor para animar as festarolas do staff “maior”, ou se ao descuido de não ter garantido que as animadoras não iriam tornar pública aquela prática. Porquê a dúvida? Porque se a executiva em causa foi punida, não há ainda qualquer informação relativa aos quadros masculinos que usufruíam das danças e das bebidas. Vai na volta, a Hyundai concluiu que o facto de os executivos séniores terem de passar a levantar-se para servir as suas próprias bebidas, além de passarem a dançar uns com os outros, já era castigo suficiente.