Música

Férias da Páscoa com música e a olhar o mundo de modo criativo

Crianças entre os 8 e os 18 anos estão a aprender música para olhar o mundo de forma criativa. Recolha de sons, imagens e realização de entrevistas são algumas atividades que fazem parte do programa.

PAULO CORDEIRO/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

Um grupo de 30 crianças e jovens, com idades entre os 8 e os 18 anos, está a ocupar as férias da Páscoa num projeto que pretende, através da música, pô-los a olhar para tudo de um modo criativo.

Na primeira edição do Acorde Maior, um projeto do Village Underground Lisboa, na área do impacto social, que começou na segunda-feira, participam crianças e jovens oriundos de aldeias Crianças SOS e dos bairros do Zambujal e da Cova da Moura, no concelho da Amadora.

“O nosso objetivo é que o material que surge neste trabalho venha dos miúdos que participam nele, não é vir com repertório pré-construído ou com partituras”, explicou à Lusa uma das orientadoras/formadoras do projeto, Joana Araújo.

Ao longo de uma semana, Joana Araújo, Duarte Cardoso e Teresa Campos estão a “facilitar processos diários de construção musical e artística” com um grupo de crianças e jovens no qual a maioria tem “pouca ou nenhuma experiência musical”.

A primeira parte da semana (segunda e terça-feira, dia em que a Lusa visitou o projeto) “é mais exploratória”. “Para os conhecermos, para eles se conhecerem entre eles e quando começamos a produzir material. É um momento crucial, porque é quando surgem as primeiras ideias e se define o que vai acontecer no final da semana”, contou Duarte Cardoso.

Na terça-feira à tarde, os 30, divididos em seis grupos, percorreram o espaço do Village Underground, sediado nos terrenos do Museu da Carris, a recolher imagens, sons e a fazer entrevistas. Regressados ao armazém onde decorrem as aulas, escolheram os melhores sons e imagens, que partilharam com os outros. Barulhos de elétricos, aviões, alguém a mastigar e talheres a baterem uns nos outros foram alguns dos sons recolhidos.

“Estamos a tentar criar estratégias para os princípios básicos, que são os sentidos. Estamos a começar pelas coisas mais básicas da audição e da escuta, uma vez que a prática instrumental é praticamente nula, a maioria deles vem com a voz e o corpo”, explicou Joana Araújo.

Matilde, de 8 anos, confessou à Lusa que “estava à espera de aprender música, tocar instrumentos”, mas não se mostrou desiludida com o que tem aprendido, e até considera “uma boa experiência”. Já Solange, com 15 anos, temia que o projeto fosse “uma seca”, principalmente a parte de “ter de acordar cedo nas férias”. Mas afinal, “está a ser fixe”.

Para terça-feira, os alunos tinham a tarefa de levar para a sala de aula objetos ou instrumentos à escolha. Havia um violino e uma guitarra, mas também molhos de chaves, livros, talheres e colheres de pau. Os que se esqueceram tiveram de arranjar o instrumento na sala, e aí a escolha recaiu em garrafas de plástico ou capas de telemóvel.

Todos mostram o som que sai de cada objeto ou instrumento que trouxeram e, no fim, fizeram um balanço de como correu o dia. Nesta quarta e quinta-feira é quando se “desenvolve material” e se “fecha o que vai acontecer na apresentação final”.

“Fazemos exercícios em que eles produzem material musical em vários formatos (listas de palavras, letras, pesquisa de sons e imagens)”, referiu Duarte Cardoso, salientando haver “um processo criativo que acontece mesmo sem eles perceberem”. “Eles estão a criar sem dizermos agora vais fazer música”, disse.

Para Teresa Campos, “tem tudo um pouco que ver com ser-se criativo, olhar-se para as coisas de forma criativa”. “Aqui é afunilado para uma coisa muito concreta e com a garantia de que isso vai transformar-se em algo partilhável no fim”, referiu.

O último dia — sexta-feira — “é o momento de ensaio, de usufruírem do que construírem”. O projeto culmina com uma gravação e atuação ao vivo, nas instalações do Village Underground Lisboa.

Os formadores não gostam de chamar concerto ao que irá acontecer no último dia, porque “não há preocupação em satisfazer o público”. “Estamos preocupados com a participação deles, se estão integrados, se sentem “este resultado tem uma parte de mim”, isso para nós é o mais importante”, referiu Duarte Cardoso.

Com um grupo de crianças e jovens “muito heterogéneo”, o objetivo de cada um “podem ser coisas muito diversas”. “Normalmente o que acontece é cada um identificar-se com uma coisa diferente”, disse Teresa Campos, referindo que “alguns têm mais que ver com o lado musical, outros com poder experimentar, outros com estarem em grupo, outros com conhecerem pessoas muito diferentes deles, ou ainda com fazerem parte de alguma coisa”.

O projeto Acorde Maior, que conta com o apoio da Caixa Económica do Montepio Geral, é inspirado no Future Band, grupo criado no Barbican Centre, em Londres, em 2009.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)