Organizações da sociedade civil moçambicana entregaram esta quarta-feira uma petição à Assembleia da República, pedindo ao órgão para pressionar as instituições de justiça a esclarecer a onda de violência contra figuras críticas à Governação da Frelimo.

“Como casa do povo e legislador, pedimos que chame quem de direito, quer sejam órgãos de justiça, quer outros agentes, para que estes crimes sejam esclarecidos”, disse a diretora-executiva da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), Zélia Menete, após entregar a petição à presidente da Assembleia da República, Verónica Macamo.

Segundo Zélia Menete, as instituições do Estado responsáveis pelo combate ao crime devem empenhar-se para travar os ataques à liberdade de expressão. “Queremos um basta, chega de intimidações e agressões, que em alguns casos resultaram em mortes”, acrescentou Menete.

Num estado de Direito, prosseguiu, é inaceitável que os cidadãos paguem com a própria vida o exercício de direitos e liberdades fundamentais. A iniciativa das organizações da sociedade civil foi desencadeada pelo rapto e agressão ao jornalista Ericino de Salema, no passado dia 27.

Salema foi raptado por desconhecidos, de dia, no centro de Maputo, à saída do Sindicato Nacional dos Jornalistas, e levado para a estrada circular da capital, cerca de oito quilómetros do local do rapto, encontrado por populares, algumas horas depois com sinais de agressões nos pés e no braço esquerdo.

O jornalista é comentador do “Pontos de Vista”, um programa de comentários do canal privado STV muito visto no país. O rapto e agressão a Ericino de Salema segue-se a ataques a vozes críticas à Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder.