O Facebook admitiu que grande parte dos dados de mais de 2 mil milhões de utilizadores estavam vulneráveis a terceiros e que podem ter sido aproveitados indevidamente. Num comunicado publicado na quarta-feira, a empresa explica qua a funcionalidade que permite procurar alguém através do número de telemóvel ou do email era uma das que mais contribuia para a exposição destes dados.

Esta opção, na barra de pesquisa, “era útil para encontrar amigos em línguas onde fosse mais difícil escrever o nome, ou nos casos em que há pessoas que têm o mesmo nome”, diz o comunicado. No entanto, muita gente aproveitava esta funcionalidade para roubar informações do perfil de outras pessoas.

Acreditamos que muita gente pode ter tido os seus dados roubados dessa forma. Por isso decidimos remover essa funcionalidade”

No mesmo comunicado o Facebook informou que a Cambridge Analytica não teve acesso “apenas” a 50 milhões de perfis, mas sim a 87 milhões. O texto termina com o Facebook a reconhecer que ainda tem “muito trabalho por fazer”. Também na quarta-feira, Mark Zuckerberg admitiu numa conferência telefónica com jornalistas de todo o mundo, da qual o Observador fez parte, que a empresa ainda está a tentar perceber o caso que envolve a Cambridge Analytica e que não vai culpar ninguém: “Na dúvida, se alguém é responsável, sou eu”, afirmou.

Em Portugal, a empresa britânica de consultoria política poderá ter acedido aos dados de mais de 63 mil portugueses. De acordo com informação divulgada pelo Facebook, “15 pessoas em Portugal fizeram o download da aplicação thisisyourdigitallife” – através da qual a Cambridge Analytica teve acesso à informação – e “63.080 pessoas podem ter sido afetadas”.