Chavela

Um documentário de Catherine Gund e Daresha Kyi sobre a cantora costa-riquenha Chavela Vargas (1919-2012), que se radicou e fez carreira no México, onde se notabilizou pela forma profunda e sofrida de interpretar canções “rancheras” e de se apresentar em palco, e pelo seu modo de vestir e comportamento masculino (era lésbica, o que, segundo ela própria diz numa entrevista de arquivo, “era aceite no palco mas não se podia exibir fora dele”, na muito machista sociedade mexicana do seu tempo). Entre o retrato biográfico e o artistíco, as realizadoras de “Chavela” detalham a intimidade agitada e os altos e baixos da vida e da carreira deste ícone da música popular mexicana a quem chamaram “a voz áspera da ternura”, que foi amante de Frida Kahlo, fumava charutos, bebia como um homem, andava armada com uma pistola e não tinha um feitio fácil. E que depois de ter caído no esquecimento, sobrevivendo com grandes dificuldades económicas e muito alcoolizada, conheceu uma segunda e triunfal existência como cantora a partir dos anos 90, primeiro em Espanha e a seguir no México, em boa parte graças a Pedro Almodóvar, seu admirador e amigo dedicado, que incluiu canções de Chavela como “Volver” em vários dos filmes que realizou.

Madame

Anne e Bob Fredericks (Toni Colette e Harvey Keitel) são dois americanos ricos que se instalam numa mansão parisiense com muita criadagem. Um dia, para não ese sentarem 13 à mesa num jantar que os Fredericks dão em casa, a supersticiosa Anne pede a uma das criadas, Maria, uma moura de trabalho (Rossy de Palma), que finja ser uma das amigas sofisticadas dos seus patrões e participe na refeição. Maria tem tanto sucesso, que um dos amigos de Anne e Bob, David Morgan, um advogado inglês (Michael Smiley), apaixona-se por ela, sem saber a sua verdadeira identidade. E a felicidade de Maria com a sua nova relação começa gradualmente a incomodar Anne, cujo casamento com Bob está a atravessar uma fase menos boa. A francesa Amanda Sthers escreveu e filmou esta muito pálida comédia romântica, que tem pretensões a sátira social e um forte défice no que respeita ao sentido de humor. E mete dó ver intérpretes como Harvey Keitel e Rossy de Palma (sobretudo esta, ainda por cima muito pouco à-vontade a falar inglês) tão subaproveitados.

“O Lamento”

Este filme de terror sul-coreano foi distinguido com vários prémios na Ásia, nos EUA e na Europa, e explora o tema da possessão demoníaca, integrando-o no contexto cultural e religioso local. O realizador Na Hong-jin, que também escreveu o argumento, situa a história de “O Lamento” no interior do país, numa vila assolada por uma série de horríveis assassínios, cujos autores parecem ter sido atingidos por uma estranha doença, que além de lhes dar impulsos homicidas, os cobre de pústulas e põe em histeria. Jong-hoo, um polícia local, trapalhão e algo cobardolas, começa a suspeitar que na origem dos crimes poderá estar, em vez dos cogumelos venenosos de que os media falam e os seus colegas desconfiam, um japonês idoso e esquivo que se instalou na região recentemente, e a essa suspeita junta-se outra: pode haver uma força sobrenatural malévola a presidir aos assassínios. “O Lamento” foi escolhido pelo Observador como filme da semana, e pode ler a crítica aqui.

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