O CENA-STE — Sindicato de Trabalhadores de Espectáculos, do Audiovisual e dos Músicos garantiu que alertou a tutela e a Direção-Geral das Artes (DGArtes) “para os erros e para o cenário que iriam criar”. Em comunicado, o organismo sindical revelou que, durante a discussão do novo modelo de financimento às artes, colocou todas as dúvidas que tinha sobre o novo modelo de financiamento às artes e que “não houve falta de contestação e de proposta”, ao contrário do que o Governo tem vindo a afirmar. Houve sim “falta de quem nos escutasse com atenção”.

Expliando que foram colocadas questões sobre temas como “os critérios de apreciação, as majorações, os limites de pontuação, as formas de atribuição de apoio, o combate tímido à precariedade e a pouca apetência para a descentralização”, o CENA-STE afirmou no mesmo comunicado que mostrou “preocupação sobre a sucessiva tentativa de adiar soluções para a fase seguinte, do Decreto-Lei para os Regulamentos, dos Regulamentos para os Avisos de Abertura”. Por essa razão, considera que “dizer que não houve contestação em nenhuma das fases, é faltar à verdade para esconder as fragilidades”.

Para o sindicato, “a discussão pública alargada, só foi iniciada por pressão do sector”, transformando-se “num inquérito que é contrariado em vários pontos pelas soluções apresentadas e em apresentações públicas em que as dúvidas foram atiradas para o futuro”. Em relação ao anúncio do reforço do financimanto às artes, o CENA-STE acredita que em nada resolve o problema, que irá manter-se.

Luís Filipe Castro Mendes esteve esta sexta-feira na Assembleia da República para prestar esclarecimentos sobre a polémica dos apoios da DGArtes, a pedido do CDS-PP. Na declaração final, o ministro da Cultura, fazendo eco do que já tinha sido referido por vários membros do Governo, garantiu que o setor foi ouvido durante o processo de construção do novo modelo de financiamento, aprovado no ano passado. “Contem com este Governo, com o nosso apoio e com a nossa vontade de ir ao encontro dos problemas”, disse, dirigindo-se aos profisisonais que têm contestado os resultados provisórios das candidaturas. “Este Governo ouviu e vai continuar a ouvir o setor.”