Falar de Manchester City e Manchester United é falar de grandes estádios, grandes jogadores, grandes treinadores, grandes contratações e grandes objetivos. Mas há uma coisa, não quantificável, que de vez em quando ainda vai fazendo a diferença no futebol: a honra. Durante 45 minutos, os red devils sentiram o seu orgulho beliscado; após o intervalo, provaram que isso é tudo aquilo que nunca deve ser feito. No meio de tudo isto, e numa fantástica recuperação na segunda parte, o conjunto de José Mourinho conseguiu inverter o 0-2 ao intervalo para 3-2, adiando assim a hipótese de festa que os citizens de Pep Guardiola tinham preparada em caso de triunfo.

A verdade é que este era um cenário impensável para quem tinha assistido aos primeiros 45 minutos: apesar da tentativa do adversário em esticar linhas de pressão até zonas mais avançadas em determinados momentos, o Manchester City nunca deixou de ser fiel ao seu estilo de construção de jogo desde Ederson (apesar de alguns calafrios com passes mais arriscados no corredor central) e chegou ao 2-0 em apenas seis minutos, com golos de Kompany (25′) e Gundogan (31′) perante a incapacidade do Manchester United de levar perigo à área contrária.

A velocidade e as diagonais dos três mais homens mais adiantados de Pep Guardiola (Bernardo Silva, Sterling e Sané), bem como as movimentações interiores de Gundogan e David Silva deixaram a equipa de José Mourinho muitas vezes perdida em campo. Até demasiadas. No entanto, todos os vendedores de rua que tinham preparado a festa com cachecóis e até medalhas alusivas ao título de 2018 tiveram de colocar o adereço no saco pelo menos mais uma semana. E tudo sem que o treinador português fizesse qualquer alteração ao intervalo.

Já depois de uma primeira ameaça a Ederson, Pogba precisou de pouco mais de dois minutos para empatar as contas no dérbi de Manchester, deixando em delírio os adeptos do United presentes no Etihad Stadium (53′ e 55′). Os red devils tiveram mexidas a nível de posicionamentos, mas a verdade é que, depois de não terem feito um único remate enquadrado durante toda a primeira parte, precisaram apenas de três tiros para recolocar tudo na estaca zero e logo com o dedo do médio francês que esteve em foco antes da partida, depois de Guardiola ter dito em conferência que o seu empresário lhe tinha oferecido o jogador no mercado de janeiro.

O City acusou em demasia o golpe de ter o pássaro na mão (leia-se, título) e deixá-lo voar, mas havia ainda muito tempo para dar a volta de novo ao jogo. No entanto, o United tinha ganho um balão de confiança demasiado grande, que aumentou ainda mais no seguimento da reviravolta consumada por Smalling no seguimento de um livre lateral batido por Alexis Sánchez na esquerda do ataque que o central desviou sem hipóteses para Ederson (69′). Já com Kun Agüero na equipa após lesão (além de Kevin De Bruyne, poupado tendo em vista a segunda mão dos quartos da Champions), os visitados lançaram-se no ataque, ficaram a queixar-se de uma grande penalidade por assinalar sobre o argentino (e com razão, acrescente-se), atiraram uma bola ao poste e viram De Gea provar o porquê de ser um dos melhores guarda-redes da atualidade, mas o resultado não voltaria a alterar-se.

“Mostrámos que merecemos mais respeito. Penso que somos melhores do que as pessoas pensam; os jogadores são um bocadinho melhores do que as pessoas pensam e eu também. Claro que o Manchester City está frustrado porque queria fazer a festa hoje, mas dei os parabéns pelo título porque eles vão ganhá-lo. Merecidamente. O que disse ao intervalo? Dei-lhes muitos exemplos de equipas que recuperaram depois de estar a perder por 2-0. Eles mantiveram o foco e acabámos por conquistar um resultado muito importante para nós”, resumiu Mourinho.