O comentador político e ex-líder do PSD Luís Marques Mendes aproveitou o espaço no seu comentário semanal habitual na SIC para fazer críticas do presidente do Sporting, Bruno de Carvalho. “Não se fazem críticas nas redes sociais ou na praça pública, porque isso é humilhar as pessoas. Faz-se em casa, faz-se no balneário”, declarou o antigo líder do PSD, que pediu “um banho de bom senso” para o líder dos sportinguistas.

Para Marques Mendes, Bruno de Carvalho está a prejudicar o clube por vários motivos: porque cria uma divisão “na nação leonina”, porque coloca o treinador numa posição complicada e porque provocou um ambiente que diz favorecer os adversários. “O Benfica estava aí na berlinda cheio de problemas. Os problemas continuam, mas agora quem está na agenda mediática é o Sporting”, explicou.

Centeno tem “estratégia pessoal” para chegar a comissário europeu?

Em matéria de política, sua área habitual, Marques Mendes avançou com a informação de que a dívida pública portuguesa deverá continuar a sua trajetória descendente nos próximos anos: “Em 2022 vamos ter a nossa dívida pública finalmente na ordem dos 100% do PIB“, garantiu, face aos 126% atuais.

Os números, contudo, não chegaram para se desfazer em elogios a Mário Centeno, ministro das Finanças. Marques Mendes reconheceu-lhe mérito político — “transformou o PS no partido que é agora simultaneamente a cigarra e a formiga” –, mas não deixou de lhe apontar “os maus fígados” de quem não perdoa ser criticado. Para além disso, classificou como “estúpido” o recente anúncio de Centeno que não haverá aumentos na função pública em 2019 — “em vesperas do 1º de maio, é gasolina”, disse.

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Sobre o ministro das Finanças, o comentador vaticinou ainda um cenário para o seu futuro: “acho que ele quer ser comissário europeu e possivelmente vice-presidente da Comissão Europeia“, admitiu, dizendo que crê que Centeno tem atualmente “uma estratégia pessoal” para chegar a esse lugar.

Ainda sobre a política interna, Marques Mendes comentou a despedida de Luís Montenegro do Parlamento (“é mais provisória do que se pensa”) e a contestação ao novo modelo de financiamento da Cultura, que diz ter favorecido mais o Bloco de Esquerda, que capitalizaram com o descontentamento, e menos os socialistas. Quanto à oposição, diz não ter “grande autoridade”, já que Rui Rio “não deixou grande imagem sobre esta matéria no Porto”.

Marques Mendes diz que Lula não pode “fazer-se de mártir”

Na arena internacional, o comentador pronunciou-se sobre a prisão de Lula de Silva, classificando os momentos que a antecederam como uma “encenação ridícula”. “Lula foi um Presidente importante, sobretudo no dominio social. Mas isso não o coloca acima da lei”, declarou.

Para Marques Mendes, as críticas ao sistema judicial brasileiro são legítimas quando se trata de matérias como a delação premiada, o facto de o juiz de instrução ser ao mesmo tempo juiz de primeira instância ou a nomeação de juízes para o Supremo Tribunal por nomeação política. “Mas este é o sistema que existe no Brasil para toda a gente”, declarou, dizendo que Lula não deve por isso fazer-se de “mártir”.

Por fim, teve ainda tempo para comentar a situação na Catalunha, com o anúncio de que Carles Puigdemont não será extraditado por rebelião, o que considera ter representado uma derrota para o Governo de Mariano Rajoy. “O Governo de Madrid continua a considerar que isto é um problema jurídico. Eu acho que é um problema político. Mas provavelmente qualquer solução política só virá com outro Governo que não o de Rajoy.”