O Lidl e a BMW firmaram um acordo que prevê que a Audi deixe de ser o fornecedor automóvel da cadeia multinacional de supermercados, passando o seu lugar a ser assumido pela “rival” bávara.

Ao que o Observador apurou, junto de fonte da BMW em Portugal, o contrato assinado entre as duas companhias germânicas supõe que o construtor de Munique forneça ao Lidl 11 mil automóveis, contra os anteriores 4.000 adquiridos à Audi, no passado. Os veículos em causa destinam-se a ser utilizados pelos colaboradores do Lidl. Com uma nuance: ao fim de seis meses de serviço, o próprio retalhista poderá comercializá-los. Ou seja, o Lidl poderá vender 11 mil BMW usados, todos equipados com motores diesel, com descontos de 48 a 50% face ao preço de catálogo do modelo em causa. Pois, se já está a esfregar as mãos de contentamento, o melhor é refrear o ânimo.

O Observador tentou apurar, junto do Lidl Portugal, quantas dessas viaturas poderiam vir a ser introduzidas no mercado de usados no nosso país, através deste retalhista. Ora, embora a BMW nos tenha dito que alguns desses automóveis viriam para Portugal, do lado do Lidl não conseguimos mais do que uma resposta lacónica à questão “quantos” desses carros se destinam a Portugal e, logo, poderiam vir a ser adquiridos pelos portugueses com um generoso desconto. Ao que a assessoria de imprensa da cadeia de supermercados, assegurada pela Cunha Vaz & Associados, nos fez chegar esta resposta: “O acordo com a BMW é feito ao nível do Grupo Schwarz. Actualmente, em Portugal, o Lidl dispõe de uma frota relativamente actualizada, pelo que prevê uma necessidade residual de novas viaturas.” Ora, “residual” não exclui a chegada desses BMW que poderiam ser comprados em condições vantajosas por clientes portugueses. E, aí, é que ficámos sem perceber por que razão por cá o Lidl não adopta a mesma política que abraça noutras paragens. Quando questionado acerca da forma como esses carros (poucos ou muitos, não sabemos) seriam vendidos em Portugal, findo o tal período de seis meses de utilização, o Lidl Portugal foi taxativo, assegurando que não prevê realizar a venda de viaturas de serviço de qualquer marca automóvel”. E acrescenta: “O Lidl Portugal prevê manter o procedimento há muito adoptado pela empresa, de entrega das viaturas de serviço sem utilização a gestores de grandes frotas.” Portanto, se quer um BMW usado, por metade do preço de um novo, pode ir ao Lidl, desde que não seja em Portugal.