Incêndios

Aldeia de Ansião já tem “oficial de segurança” pronto para tocar a rebate

Vale Florido, no concelho de Ansião, tem um "oficial de segurança" para transmitir avisos à população, organizar evacuações e realizar ações de sensibilização sobre incêndios.

PAULO CUNHA/LUSA

A aldeia de Vale Florido, no concelho de Ansião, já tem um “oficial de segurança” pronto para ir à capela tocar a rebate e pegar no megafone para levar as pessoas até ao local de refúgio assim que avistar fogo.

Na zona da Serra de Sicó, a aldeia de Vale Florido foi a escolhida para a apresentação dos programas Aldeia Segura e Pessoas Seguras, que preconizam a criação de um “oficial de segurança” em cada aldeia para transmitir avisos à população, organizar evacuações e realizar ações de sensibilização sobre incêndios.

Vestindo um colete laranja fluorescente da Proteção Civil, Silvério Teixeira, de 61 anos, polícia reformado, mostrou-se preparado para exercer o cargo na aldeia onde nasceu e que, recorda, foi a terra natal dos pais do escritor Fernando Namora, que doaram o terreno onde hoje está a capela — capela essa que servirá para dar o alerta.

Na eventualidade — esperemos que não — de haver um incêndio, é tocar a rebate, dar o alerta e as pessoas, mediante o alerta, deslocarem-se para o nosso local de refúgio”, que, no caso de Vale Florido, é a sede da associação recreativa, onde Silvério é tesoureiro.

Depois do discurso do ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, seguiu-se um simulacro de uma evacuação, onde toda a aldeia se mostrou preparada e organizada e até com alguns dotes teatrais.

Durante o simulacro, Silvério Teixeira circulou a aldeia munido de megafone a alertar que um grande incêndio estava a caminho, depois encaminhou as pessoas para o refúgio, fez a chamada dos presentes e até deu nota que havia um peregrino de Santiago de Compostela pela aldeia e que uma das pessoas que não respondeu à chamada estaria a trabalhar.

As pessoas, a maioria idosas, lá se deslocaram para o refúgio, levando os cães e gatos e houve até quem levasse a sua melhor galinha poedeira — não houve tempo para “salvar” as outras –, explicou uma habitante. O convite para ser o “oficial de segurança” de Vale Florido surgiu na sexta-feira e de imediato Silvério Teixeira aceitou e, também de imediato, começou a cumprir as suas funções.

“Já andei a sensibilizar as pessoas e a alertá-las mais para um pinheiro ou outra árvore que pudesse cair para a residência. Há aqui uma situação que me preocupa e já estou a envidar esforços no sentido de contactar o senhor para fazer a limpeza em volta da residência”, frisou, garantindo que é “o único caso na aldeia” que o preocupa.

Silvério Teixeira salientou que conhece todas as pessoas da aldeia e isso vai tornar o trabalho mais fácil no caso de uma evacuação da localidade: “Se não estiverem nas suas residências, sei onde as posso procurar. Por exemplo, o moleiro, se não estiver em casa, está na moagem”.

Relativamente ao alerta com o sino da capela, recorda que isso já era hábito comum quando era criança, em que as pessoas, ao ouvirem o alerta, “agarravam em baldes para combater as chamas”. Hoje, essas pessoas, têm “80 ou 90 anos e não vão combater”, notou, considerando que não podem fazer “finca-pé” quando forem chamadas para o refúgio.

Esta segunda-feira, na aldeia de Vale Florido, foi assinado um protocolo entre a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) e a Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE) para a concretização do Aldeia Segura e Pessoas Seguras.

Os programas assentam na “gestão de combustível, plano de evacuação de aldeias e campanha de sensibilização”, segundo informação do Ministério da Administração Interna (MAI) avançada à agência Lusa.

Os programas estabelecem também a definição de locais de refúgio nas aldeias e a sensibilização das populações para o que fazer em caso de incêndio e como evitar comportamentos de risco, bem como a sinalização de caminhos de evacuação nos aglomerados populacionais.

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